Greve dos caminhoneiros afeta restaurantes e casamentos

Sonia Racy

25 Maio 2018 | 00h40

E a greve dos caminhoneiros atingiu em cheio o Ceasa. O maior mercado de flores e hortifrutigranjeiros de São Paulo amanheceu ontem quase vazio. E, pelo que se apurou, não havia previsão para venda de flores hoje. Como isso afetou casamentos e festas da cidade? A Ritz Festas, por precaução, já está mudando datas de eventos por causa do desabastecimento geral e não só de flores. “Há muita dificuldade no litoral e interior, tudo está tendo que ser replanejado”, lamenta Pricila Cabrini.

Já Elisa Tavares, da Boutique de Três, conta que dois casamentos programados para o fim de semana – um em Ilhabela e outro no Fasano da Fazenda Boa Vista – estão garantidos. “Nossos fornecedores estocaram gasolina e boa parte do que é imprescindível foi entregue. Mas, se a greve continuar, vamos ter que começar a pensar como fazer os próximos casórios.”

Rogério Frade, mais conhecido como Buba – dono da SCJ Pontual – agiu rápido. “Desde sábado passado, nos antecipamos”, conta, lembrando que, em 2003, quando a primeira crise desse tipo aconteceu, “só Deus sabe o que passamos”. No fim de semana, a operadora logística especializada em flores e plantas, cumprirá roteiro de festas em BH, MT, Ilhabela e Ribeirão Preto.

O tradicional leilão diário de flores de Holambra não vai acontecer hoje. Uma explicação é a greve, mas também existe uma estratégia de mercado. “O frio faz com que subam os preços das flores. Geralmente uma rosa custa R$ 0,80. Nesta época ela sobe para R$ 1,50 ou até mais e, com a crise, não aconteceu esse aumento. Então os produtores preferem esperar a greve acabar para não sair no prejuízo”, explica Buba.

Os floristas Vic Meirelles e Carlos Brioschi também se anteciparam. “Tivemos sorte, minhas encomendas de flores chegaram a tempo para o casamento que estou fazendo no interior”, diz, aliviado, Meirelles. “Mas sei de colegas que já estão usando flores de plástico.” Já Carlinhos tem três eventos no fim de semana na Casa Charlô. “Estamos utilizando bastante orquídea, que é uma flor que dura uns 15 dias”, explica. E semana que vem? “Se a greve não acabar logo posso dizer que estamos bem encrencados”, confessa Meirelles.

No setor de bares, restaurantes e hotéis, quem fez estoque está bem. Mas só até a próxima semana. O Hotel Unique provisionou mercadorias e conversou com fornecedores. Mas, se a situação continuar como está, terá até que mexer nos cardápios de eventos para fazer substituições.

Renato Calixto, do restaurante Factório, não prevê dias fáceis. “Muitos produtos já faltam no Ceasa”, diz. A rede América e Barbacoa não sofreu com desabastecimento ainda mas também a expressa “preocupação com os próximos dias”, em nota emitida para a coluna.

O restaurante Ecully, em Perdizes, não está recebendo frutos do mar, queijo e bebidas. O estoque que está segurando o fornecimento.

No Rio de Janeiro, a situação parece mais grave. O Fasano e o Copa estão sentindo falta de hortifrutigranjeiros. O sindicato de bares e restaurantes da cidade confirma que a falta de produtos é geral. Tanto assim que alguns estabelecimentos estão reduzindo porções de folhas e verduras nos pratos./ MARILIA NEUSTEIN E SOFIA PATSCH