German Lorca será homenageado pelo Prêmio Trip Transformadores

German Lorca será homenageado pelo Prêmio Trip Transformadores

Sonia Racy

27 Julho 2016 | 00h45

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“A fotografia nunca foi tão popularizada ou esteve ao alcance de todos como hoje. Vejo a ‘selfie’ como o registro, o testemunho de um momento da realidade individual, uma febre notável”, disse German Lorca do alto de seus 94 anos, 67 deles dedicados a fotografia. O fotógrafo paulistano – último representante vivo entre os pioneiros da moderna fotografia brasileira – acabou de ter sete imagens incluídas no acervo permanente do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMa) e se prepara para sua próxima individual, prevista para este semestre no Sesc Pompeia. Por essas e por outras, Lorca será um dos homenageados do Prêmio Trip Transformadores, que acontece dia 10 de novembro. A coluna conversou com o fotógrafo sobre o bom momento.

Você se sente no auge da carreira?
Nunca me senti no auge. Os momentos vividos fotografando aconteciam com profunda dedicação.

Como foi sua adaptação à fotografia digital?
Foi imediata, pois a rapidez de resultado no registro fotográfico deu agilidade espantosa para nós. Sempre fui um entusiasta do “novo”. Nosso estúdio foi um dos pioneiros no Brasil na utilização de tecnologia digital. Nosso processo de transformação começou em 1987 com o retorno de meu filho dos Estados Unidos. A série Geometria das Sombras, que realizei entre 2014 e 2015, exposta na Galeria Millan, e publicada em meu livro Travessias, foi totalmente feita em digital.

Como foi e como é viver de fotografia no Brasil?
Para mim, foi e continua sendo bom, pois sempre me dediquei com afinco à fotografia tanto profissional como autoral. Viver fazendo o que gostamos nos dá uma satisfação imensa, é muito recompensador.

Como é sua rotina atualmente?
Dedico boa parte do tempo à organização e manutenção do meu acervo. Ainda fotografo quando me deparo com temas interessantes. A carreira de fotógrafo exige dedicação, tônus vital muito elevado e agitado, e o tempo é o limite para produtividade artística. Planejo ir à Nova York completar um trabalho que venho fazendo sobre a cidade desde 1966. E também está em curso o projeto de uma exposição em que constará uma parte pouco conhecida de meu trabalho, fotos coloridas. /SOFIA PATSCH