‘Fui assaltada digitalmente’, diz Drica Moraes

‘Fui assaltada digitalmente’, diz Drica Moraes

Sonia Racy

24 Agosto 2016 | 00h40

Foto: João Cotta/Globo

Foto: João Cotta/Globo

Drica Moraes está no elenco de Justiça, nova minissérie da Globo, que estreou na segunda-feira e já dando o que falar – a emissora apostou em formato inovador e cenas fortes, de sexo e assassinato. A série lembra sua antecessora, Verdades Secretas, que também tinha Drica no elenco, mas na pele de Carolina, uma mulher submissa, bem diferente de Vânia, a alcoólatra ninfomaníaca de agora, que fará par com o personagem de Cauã Reymond na nova trama.

Serão apenas 20 capítulos. Mas as injustiças, observa, não ficam só no folhetim. “Fui assaltada digitalmente, roubaram minha identidade e saem fazendo maldade por aí”, contou a atriz. Confira a entrevista a seguir:

O que é justo para você?
Justiça é colocar um ponto final em uma situação trágica. Pontuar, fechar uma história.

A vingança muitas vezes anda ao lado da justiça. Numa situação limite, o reprovável poderia ser justificado?
Acho que, no campo do humano, tudo é possível. Claro que a violência não é justificável, mas o ser humano tem uma gama de sentimentos muito diversificada e aí entram ódio, rancor, ciúme, inveja… Todos esses sentimentos que ele não tem onde colocar são humanos. Isso, no fundo, faz parte de um jogo da justiça, não é? Isso pode ser o seu mote.

Sua personagem, a Vânia, é alcoólatra, carente, frustrada. Como está sendo interpretar uma personagem de tal intensidade?
É uma pessoa totalmente desestruturada, que está sempre no limite. Ou ela está extremamente enraivecida ou extremamente abandonada – e sempre com muito tesão. Ela tem uma temperatura sexual muito forte. É uma pessoa muito intensa, diria até radical, mas ao mesmo tempo ela tem um lado muito divertido. Isso é muito atraente. Ela se diverte com a própria desgraça.

Vez por outra sai uma notícia maldosa na internet dizendo que você morreu. Sente-se injustiçada numa situação como essa?
Fui assaltada digitalmente, roubaram minha identidade e saem fazendo maldade por aí. Não tenho mais Instagram, Twitter, haquearam tudo e hoje postam em meu nome. Claro que isso é injusto, mas com quem vou reclamar? Não temos a quem recorrer, né? Estamos muito afastados daquele homem primitivo, que acordava com a luz do sol, que dormia com o pôr do sol, que tinha que esperar a planta crescer pra colher e poder comer. Estamos vivendo em um ritmo muito acelerado. Tento mostrar este outro lado mais “natural” para o meu filho.

Pretende ter mais filhos?
Não vai dar pra ter mais filho nessa encarnação… (risos).

Todo mundo sabe que hoje você está curada da leucemia, é uma pessoa resistente que voltou com tudo para sua carreira, vivendo personagens de peso, está no auge de novo. O que mudou no jeito como você encara a vida depois de tudo o que passou?
Olha, acho que o grande ensinamento, depois de passar por tudo, é saber que a vida é para ser aproveitada. Pra ser vivida intensamente. E realmente o cotidiano vale a pena. É como aquela doutrina budista mesmo: objetivo alto, expectativa baixa e esforço constante. A vida é um esforço constante. A vida é resolver problema, estar sempre na lida, não esperar muita coisa em troca porque o seu melhor plano vai dar errado, e mesmo assim manter em mente o melhor.

Você sempre foi discreta em relação ao assunto. Muitos famosos que passaram por situações como a que você passou fazem campanhas e expõem seus sentimentos. Não gosta de tocar neste assunto?
Nunca tive necessidade de transformar a minha doença em obra de arte, em livro, em peça, em filme. Minha história é linda, mas, basicamente, ela serve pra mim. E é assim que eu espero que ela continue.

Você é religiosa?
Posso dizer que tenho muita fé. Não aderi a nenhuma religião. Vou do candomblé à Igreja Católica. / SOFIA PATSCH

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