From Russia with love

Sonia Racy

25 de novembro de 2011 | 23h01

Diferentemente das apostas na França, Margarita Louis-Dreyfus não se perdeu depois de demitir, em fevereiro deste ano, o principal executivo da holding do tradicional grupo francês. Sem experiência, a viúva de Robert Dreyfus assumiu as rédeas do Grupo Louis-Dreyfus e está dando as linhas na condução do conglomerado de 99 anos de idade. De passagem por São Paulo e Brasília (onde se encontrou com Dilma), a russa, nascida em Leningrado, conversou com a coluna durante almoço informal na quinta-feira. Na casa de um amigo antigo do marido.

Por que veio ao Brasil?

Hoje, 80% do nosso negócio dependem do País. De nossos 40 mil funcionários, 32 mil estão aqui. Quis entender melhor as pessoas, conhecer o sistema local e bater o martelo em nossa decisão de investir R$ 7 bilhões nos próximos cinco anos.

Está preocupada com a grave crise que emana da Europa e deve contaminar o mundo inteiro?

Estou. Mas lidamos com commodities. E o mundo certamente não vai deixar de comer.

Você demitiu Jacques Veyrat.

Meu marido morreu há três anos e esperei para ver como Veyrat terminaria de implantar o plano quinquenal que Robert deixou pronto. Totalmente voltado para nossas raízes no agribusiness. Constatei, infelizmente, que Veyrat pensava somente no curto prazo; e nós, no longo. Tenho três filhos e Robert me deixou responsável pelo destino da empresa. Resolvi assumir funções de decisão no Conselho.

Robert deixou de herança suas ações para a família?

Para uma trust montada de tal forma que nós, nesta geração, não poderemos vendê-las. Nossa responsabilidade, como donos de 51% da empresa, não é só com o lucro, mas, sim, com a perpetuação do Grupo. Era o sonho dele. Pesquisas provam que administração familiar moderna, responsável e ética dá mais resultado na comparação com empresas sem dono.

Como se sente diante este novo desafio?

Nunca trabalhei, Mas sempre acompanhei Robert, que era um gênio, durante almoços e jantares em que são tomadas decisões importantes.

Você parece ser muito intuitiva. Isso é importante?

Sou sim. E te digo uma coisa: não existe empresário bem sucedido sem ter sido abençoado pelo dom da intuição. Equipe técnica sempre pode ser contratada.

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