Folia lucrativa

Folia lucrativa

Sonia Racy

07 Fevereiro 2013 | 01h06

Célia Santos

Uma das pioneiras dos camarotes de carnaval em Salvador, Daniela Mercury comemora 20 anos de seu sucesso O Canto da Cidade. A diva dos trios elétricos, que contabilizou retorno de R$ 30 milhões no ano passado, já tem agenda cheia para depois da folia: quer se encontrar com ACM Neto e Marta Suplicy. Um dos objetivos da cantora é atrair os olhares do poder público para transformar a indústria cultural em negócio.

O carnaval é uma festa muito rentável para Salvador. E, no ano passado, houve uma onda de violência pré-folia…

Temos de repensar o carnaval. É uma festa que movimenta em torno de R$ 1 bilhão, com 2 milhões de pessoas, e é feito quase totalmente pela iniciativa privada. A prefeitura e o governo entram só com a infraestrutura, os banheiros, o policiamento. A festa acontece por iniciativa dos artistas, dos blocos e dos empresários.

Você afirmou que vai conversar, depois do carnaval, com o novo prefeito e também com a ministra da Cultura.

Sim, porque a prefeitura de Salvador compete, na captação de recursos, com os artistas. E nós só nos viabilizamos através de patrocínio. Acho que é preciso se enxergar de maneira profissional. Não podemos tratar a cultura e o entretenimento como algo que precisa de caridade. Odeio isso. A gente gera muito dinheiro. Meu camarote, por exemplo, que foi o primeiro institucional (há 18 anos), ano passado trouxe de retorno R$ 30 milhões para a cidade. Isso é o que o governo gasta só com a infraestrutura do carnaval. Eu, sozinha, pago em mídia o que o governo investe. Imagine todos nós juntos.

Acha que o carnaval é subestimado economicamente?

O mercado criativo nacional precisa ser levado a sério. É hora de enxergar a importância da indústria criativa brasileira. E a gente trabalha com muito pouco respaldo. Há alguns anos, pedi ao BNDES que abrisse uma linha de financiamento para o mercado cultural e consegui isso. Pedi também ao Senado que aprovasse uma lei desonerando a exportação de cultura – que já está passando nas comissões. Precisamos ser tratados como as outras indústrias, porque divulgamos o País lá fora. /MARILIA NEUSTEIN