Goleman, um organizador das emoções

Goleman, um organizador das emoções

Sonia Racy

25 de março de 2016 | 01h40

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Autor do best-seller Inteligência Emocional, Daniel Goleman afirma em seu último livro, O Foco Triplo – uma Nova Abordagem para a Educação, lançado pela editora Objetiva, que um dos caminhos para uma sociedade mais organizada e solidária é introduzir nas escolas ensino sobre autoconhecimento e empatia. O escritor americano conversou com a coluna e falou sobre exercícios para manter o foco e praticar empatia.

O hábito de leitura tem se tornado fragmentado, por causa da internet. Como vencer esse tipo de desafio?
A atenção de todos está sendo deteriorada. Isso é parte das novas tecnologias. Começamos a ler um livro e paramos para ver um e-mail, por exemplo. O cérebro não consegue se concentrar da mesma maneira que antes. Por isso é preciso treinar a atenção, como se ela fosse um músculo.

Em seu livro, você fala sobre a geração sem foco. Mudanças tecnológicas na educação são ruins?
Depende como são usadas. Se uma criança usa o iPad para escola é bom, mas se usa para saber o que os amigos estão fazendo no Instagram é ruim.

O livro Inteligência Emocional é um best seller. Por quê?
Todo mundo enfrenta desafios no campo das emoções e a ideia de que você pode lidar com isso de maneira inteligente é muito atrativa.

Você defende, na sua obra, que a inteligência emocional deve ser ensinada na escola.
Sim. Falo isso nos livros. Acredito que deve ser ensinada junto com as habilidades acadêmicas. As crianças precisam aprender a se conhecer, a se relacionar com os outros e a entender os sistemas maiores nos quais estão inseridos.

E quais os grandes inimigos da inteligência emocional?
Há muitos: achar-se acima de todos, impulsividade, não se importar com os outros e ser difícil no trato com as pessoas. Esses são sinais de uma inteligência emocional pobre.

Qual é o espaço para a inteligência emocional em muitas empresas que, entre outras coisas, incentivam a competição entre os funcionários?
A competição não traz sucesso a uma empresa no longo prazo. Chefes que incentivam esse tipo de comportamento alienam as pessoas. É um dos grandes problemas hoje: empresas que crescem, mas que têm funcionários infelizes e estressados. Mas isso está mudando.

Mudando como?
Acredito que os jovens estão procurando por vidas mais plenas, não apenas dinheiro. Não querem mais passar por situações de esgotamento. A inteligência emocional é isso: saber manejar esse tipo de situação e saber controlar a ansiedade.

Empatia e autoconhecimento são coisas que vão na contramão da internet, onde vemos cada vez mais manifestações de intolerância. Como juntar o mundo virtual e real?
As pessoas dizem coisas online que jamais falariam ao vivo. Não fomos “desenhados” para isso. Nosso cérebro é acostumado a olhar para o outro e esperar uma reação. Esse é um dos motivos por que acredito que empatia tem que ser ensinada na escola. Porque você aprende a saber como o outro vai receber a sua mensagem. E isso faz as pessoas serem menos impulsivas e mais tolerantes. / MARILIA NEUSTEIN

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