Festa dos (des)afinados

Redação

28 de novembro de 2008 | 06h00

Foi uma festa e tanto, com direito a jantar e karaokê, a que reuniu a fina flor do DEM, lideranças tucanas e até o ministro José Múcio no apartamento da senadora Kátia Abreu e que entrou pela madrugada de ontem. A boa bebida garantiu a convivência entre partidos antagônicos e estimulou cenas pouco comuns, até nas festas brasilienses.
Múcio fez par com Roseana Sarney – que tem cirurgia daqui a duas semanas -, cantando pérolas de Lupicínio Rodrigues. Ronaldo Caiado tomou a anfitriã pelo braço e saiu dançando, ao som de um bolero desafinado por Demóstenes Torres.

Enquanto Roseana se orgulhava de ter largado o cigarro, Jorge Bornhausen, ao seu lado, insistia que seu pai, José Sarney, tem de aceitar a candidatura à presidência do Senado.

“Vai prevalecer a necessidade política do País”, avisava Bornhausen – um alerta aos que esperam de Sarney, num eventual mandato na presidência do Senado, um aliado incondicional de Lula. O Senado quer dele a garantia de governabilidade, sim, “mas com a mesma independência que custou ao Planalto a fim da CPMF”. “Entre Tião Viana e Sarney, alguma dúvida de quem fará isso?”, perguntava.

Convidados e não convidados foram chegando aos poucos. Tucanos, um após outro, acabaram com a maioria do DEM. O presidente do partido, Sérgio Guerra espantou-se já ao entrar: “Isto aqui já parece comemoração!” Arthur Virgílio, acelerado pela longa sessão encerrada minutos antes, falava da gravidade do empréstimo de R$ 2 bilhões da Petrobrás à Caixa Econômica, para fechar o caixa.

Adivinhando que as eleições na Câmara e no Senado eram o prato da noite, o presidente do PMDB, Michel Temer, acabou aparecendo, depois de uma da manhã. Hora em que os convidados se espremiam para conseguir a mágica de dançar, jantar e conversar no mesmo espaço em que um conjunto tocava sem parar. Temer cruzou a sala apertando a mão de eleitores. “Estamos com chances, mas a luta é até o fim”, justificava.

“Gente, a sabatina é daqui a pouco”, avisava José Jorge, candidato à vaga de Guilherme Palmeira no Tribunal de Contas, que estava ao seu lado. Noutro canto, Bornhausen confirmava: “A eleição na Câmara não está ganha não. Não subestimem esse rapaz, Ciro Nogueira. “Ele é sério, não tem nada de Severino Cavalcanti e tem um bloco significativo em seu apoio.”

As versões corriam, de roda em roda. O presidente Lula preferiria o senador petista Tião Viana , diziam uns. “Ele não terá nenhuma estabilidade e sossego com o Tião”, rebatiam outros. “Sarney dará a estabilidade que o Lula precisará em 2009”, arriscou um terceiro.

Eram três da manhã quando a alegria acabou. Ao microfone, um imbatível Demóstenes ainda retomava Lupicínio: “Esses moços, pobre moços/ Ah, se soubessem o que eu sei…”

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