Festa da toga

Direto da Fonte

28 de junho de 2013 | 01h09

Eram 23h quando a banda The Judges – composta por quatro juízes – atacou de Pink Floyd na festa de posse de Luís Roberto Barroso no STF – anteontem, em luxuosa casa de festas de Brasília. Servidores se esbaldaram na pista de dança. Barroso bem que tentou, mas desistiu ao perceber que estava sendo filmado. Desta vez, Luiz Fux não fez as vezes de guitarrista – o carioca não compareceu ao evento. “Mico a gente só paga uma vez”, confessara, semanas antes, o magistrado, atração da posse de Joaquim Barbosa na presidência da corte, em dezembro.

Minutos antes, o homenageado da noite e seus familiares é que ocuparam o palco. “Esta é uma festa de advogados, vocês não achavam que iam escapar de um discurso”, brincou Barroso. “Quero ser feliz na magistratura”, prosseguiu, pedindo um momento de “energia boa”. Encerrou a fala citando Eça de Queiroz.

Em meio a garrafas de uísque, vinho e champanhe, advogados de mensaleiros misturavam-se a ministros do Supremo. Barbosa era o mais assediado pelos garçons, que faziam fila para tirar fotos. Já um grupo de juízes preferiu virar de costas – o ministro foi um dos maiores defensores da resolução do CNJ que proíbe associações de pagarem festas para a magistratura. A Associação de Magistrados do Brasil, aliás, ajudou a bancar a recepção.

Autor da denúncia do mensalão, Antonio Fernando de Souza também apareceu. “O STF mandar prender alguém deveria ser a regra, não causar espanto”, comentou, indagado pela coluna sobre a ordem de prisão imediata do deputado Natan Donadon – a primeira desde o fim da ditadura. Para Ricardo Lewandowski, a decisão “era a crônica de uma morte anunciada”. “Havia vasta jurisprudência sobre isso”, explicou.

Lewandowski tinha acabado de sair de festa com diplomatas estrangeiros. “Eles não estão entendendo nada do que está acontecendo”, contou, sobre as manifestações que sacodem o País. E o senhor? “Também não!” /MIRELLA D’ELIA

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