‘Municipal será da cidade’, diz novo maestro do teatro

‘Municipal será da cidade’, diz novo maestro do teatro

Sonia Racy

21 de fevereiro de 2017 | 00h30

Roberto Minczuk. FOTO: Iara Morselli/ESTADÃO

Roberto Minczuk. FOTO: Iara Morselli/ESTADÃO

Um “reencontro musical emocionante com a cidade, sala lotada, plateia e músicos felizes”. Foi assim, espalhando superlativos, que Roberto Minczuk definiu para a coluna sua estreia como maestro titular à frente da Sinfônica do Teatro Municipal, no sábado à noite. “Senti-me lisonjeado ao conduzir a orquestra na casa onde entrei aos 9 anos e onde aos 13 fui convidado, pelo maestro Isaac Karabtchevski, para ser a primeira trompa da orquestra.”

As memórias, que incluem – lá pelos anos 80 – o ônibus tomado às 6h30 da manhã em Vila Alpina para as aulas no próprio teatro com o professor Enzo Pedini –, justificavam comemoração. E quem se encarregou disso foi o amigo Ricardo Levisky. No domingo, ele reuniu músicos, cantores e amigos em jantar em torno do maestro no seu apartamento nos Jardins.

Mas hoje, aos 49 anos, já tendo regido grandes orquestras pelo mundo afora, como Minczuk programa sua vida à frente da Sinfônica municipal? “Vou reger muito, serei uma pessoa muito presente. Quero aumentar a programação. Vamos valorizar a ópera, o balé, os concertos. Organizar eventos com música de cinema…” A propósito, um de seus planos é criar eventos temáticos a partir de músicas que inspiraram filmes de diretores – e um dos seus prediletos, que estará entre os primeiros escolhidos, será Stanley Kubrick. Minczuk pensa em um espetáculo misto, com orquestra e num telão imagens simultâneas dos filmes. Uma das grandes armas para levar tudo isso adiante é o que o maestro chama de “fantástico espírito de equipe” – com Cleber Papa na direção do teatro e André Sturm na Cultura.

Para daqui a duas semanas, ele já tem um projeto de peso: comemorar os 130 anos de nascimento de Heitor Villa Lobos com a apresentação (nos dias 4 e 5 de março) da integral das nove Bachianas do compositor. “É uma coisa inédita no País. Só tivemos essa loucura em Tóquio em 2009, nos 50 anos da morte de Villa Lobos”. Para São Paulo, ele dividirá os programas do sábado e do domingo em duas partes: uma sessão às 16h30 e outra às 20h.

Óperas? Neste primeiro ano, ele quer seis. Mas é inevitável, pondera o maestro, começar aos poucos. “Assim, teremos duas exibições, de Fidelio e A Danação de Fausto, ainda neste semestre. E no segundo, estamos planejando levar três ou quatro óperas encenadas.”

Mas, e a crise? Haverá verbas para tudo? “A gente terá de valorizar o que já existe, puxar pela criatividade.” Essa estratégia combina com a ideia de abrir espaço aos talentos musicais de SP. Minczuk considera importante, também, promover exibições em teatros de bairros e concertos ao ar livre: “O teatro será da cidade”. / GABRIEL MANZANO

 

 

 

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