‘Fase ruim vai passar’

‘Fase ruim vai passar’

Sonia Racy

17 Outubro 2015 | 01h30

S11 SAO PAULO SP 30-09-2015 EXCLUSIVO COLUNA DIRETO FONTE OE Fotos de Thierry Guibert Lacoste Foto Denise Andrade/ESTADAO

 Foto Denise Andrade

Thierry Guilbert, o novo CEO da Lacoste, confia no tempo. “Nosso foco é o longo prazo. Não é essa fase ruim (da economia brasileira) que vai acabar com nossos planos para o Brasil”, diz o francês que assumiu o posto há oito meses e escolheu o País como um dos primeiros a visitar.
Tendo passado por diversos cargos no grupo Kering – responsável por marcas como Bottega Veneta e Saint Laurent –, o executivo abre o jogo: o Brasil “faz parte do Top 5 – os países mais importantes para a marca”. Na passagem por São Paulo, ele contou à coluna seus planos e comentou a crise econômica, que acredita ser passageira.

Como novo CEO da Lacoste, quais os planos para o Brasil?
O País está no Top 5, os mais importantes para a empresa. Queremos focar em renovação e melhorias das nossas lojas, dos pontos de venda e parceiros estratégicos. A cultura brasileira é muito parecida com a francesa no quesito lifestyle, felicidade – ou, como se diz na França, a joie de vivre. Temos muito em comum.

Qual o peso do Brasil no faturamento global da empresa?
Cerca de 10%. Os EUA, por exemplo, têm 13%. Os outros três que mais vendem são França, China e Coreia.

Onde mais você operam na América Latina?
A Argentina é a número dois. Temos uma interação boa com eles, mas provavelmente somos a única marca internacional operante por lá. Depois vêm Chile e Uruguai. Queremos expandir ainda mais a marca na América Latina.

A Lacoste já completou 82 anos. O que mudou?
A marca tem um DNA forte nos esportes. Começou com foco no tênis –nosso fundador, René Lacoste, era um tenista famoso – e as camisas eram as mais conhecidas da França. Mas, se no passado a referência eram as nossas polos, hoje fabricamos jeans, casacos, bolsas, perfumes. Vendemos um estilo de vida.

Considera a Lacoste uma marca de luxo ou de esporte?
A Lacoste é única (risos)! Somos uma marca popular, o estilo de vida que vendemos é para todos, não só para ricos. Ao mesmo tempo, somos rigorosos com a qualidade dos produtos – por isso eles são mais caros. Defino a Lacoste como uma marca Premium.

Tem quem copie o crocodilo trocando de bicho. Alguns escolhem elefante. Outros, porquinhos… Acha pirataria?
Não é um bicho que faz uma marca. São a qualidade e o design de nossos produtos. Temos nosso diretor criativo, o estilista português Felipe Oliveira Batista, que é brilhante. Então não me preocupo com gatos e lebres por aí, exceto com crocodilos (risos).

O dólar caro está atrapalhando as vendas da marca por aqui?
Sim, claro. Mas nosso foco é o longo prazo. Não é essa fase ruim que vai acabar com nossos planos para o País. Acredito que o Brasil tem fundamentos bem fortes, a classe média e os jovens são muito dinâmicos para mudar o cenário. Vamos continuar investindo como antes.

Qual sua avaliação sobre a economia brasileira de hoje?
Sou muito otimista com relação ao futuro do Brasil. Acho que esse momento vai passar. /SOFIA PATSCH