‘Famílias estão aceitando mais’, diz cirurgião especializado em transição de gênero

‘Famílias estão aceitando mais’, diz cirurgião especializado em transição de gênero

Marcela Paes

29 de janeiro de 2021 | 00h40

O cirurgião José Carlos Martins Junior. Foto: Transgender Brazil

Acostumado a ouvir histórias tristes de seus pacientes desde que abriu sua clínica em 2015, o cirurgião José Carlos Martins Jr. vem sentindo uma mudança. De uns anos para cá, o médico especializado em transição de gênero escuta mais relatos felizes.  

Para ele, isso se deve à maneira como muitos pais encaram a existência de um filho transexual na família. “Antes era muito raro alguém vir acompanhado de pai e mãe. Hoje já é mais comum. Nesta semana atendi duas gêmeas de 19 anos que vão fazer readequação sexual e serão trazidas pelos pais”, explica ele, que já fez mais de 400 cirurgias. 

Martins acredita que a quantidade de informação sobre o assunto – como a inclusão de um Dia da Visibilidade Trans, comemorado hoje – faz com que exista menos preconceito, além de aumentar o conhecimento das próprias pessoas trans sobre o tema. “Hoje a pessoa não pensa em ir para Tailândia para fazer uma cirurgia. Agora sabem que temos toda a estrutura aqui”. Outro público que começou a aparecer em Blumenau, onde o médico mantém clínica, foi o da terceira idade. “São pessoas que só tiveram a chance de entender quem são agora. Tenho muitos pacientes de mais de 50 anos. Um inclusive foi trazido pela mulher, com quem tem dois filhos”, conta. 

 Curiosamente, dentre o espectro de operações de transição de gênero – que incluem feminilização facial e corporal – a redesignação sexual, que altera a genitália do paciente, é a menos procurada. “Só 5% dos pacientes buscam. A cirurgia que eu mais faço é na face, para feminilizar”, diz o médico, que nem com a pandemia viu o número de atendimentos cair. “Dobramos”. 

 Para Martins, que ingressou na especialidade após curso no EUA, um dos aspectos mais gratificantes do seu trabalho é ver seus pacientes reinseridos na sociedade. “Eles precisam trabalhar, estudar. E muitas vezes são excluídos pela aparência. É recompensante ver a pessoa feliz depois de uma cirurgia. Muda a vida”./MARCELA PAES

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