Família de Chatô tenta impedir estreia de filme, diz Fernando Morais

Sonia Racy

19 Novembro 2015 | 13h40

Um dos parentes de Assis Chateaubriand, Philippe Bandeira de Mello, tentou barrar a exibição do filme Chatô, o Rei do Brasil, com estreia prevista para hoje. Mello, que é um dos netos do personagem central do longa– inspirada em uma biografia escrita pelo jornalista Fernando Morais –, disse que enviou notificação extrajudicial a quatro empresas de cinema pedindo a interrupção da exibição nas salas administradas por elas por haver cenas caluniosas.

De acordo com Morais, o documento alega que a obra cinematográfica acusa Chatô de ter matado o presidente da República e de aliciado uma menor.

Morais disse à coluna que talvez haja confusão uma vez que não há nenhuma referência no longa sobre as questões alegadas. “No filme, a única passagem em que o Chatô encomenda um atentado não é para matar. Ele manda um sujeito atirar nas genitais de um industrial”. De acordo com o escritor e jornalista, a história da castração está no livro, com provas e reprodução de notícias sobre o caso na época.

“Em relação a acusação de ele seduzir e estuprar uma menor. Não teve nenhum dos dois. Teve casamento. Quando ele tinha 42 anos, ele se casou com uma menina de 16… Teve filhos e tudo”, afirmou.

Para o escritor a medida da família do personagem configura uma tentativa de censura à obra. “Essas coisas, se deixa passar um, vai embora.” Nas redes sociais, ele disse “os herdeiros de Chatô talvez não saibam, mas a ditadura acabou há trinta anos. E, com ela, felizmente, a censura.”

Procurado, o diretor do filme, Guilherme Fontes, afirmou que o filme é uma obra ficcional e está carregada de visão particular, dele próprio, sobre a vida de Chatô.

Segundo o advogado que representa alguns dos familiares, Fredímio Biasotto Trotta , o documento encaminhado tem o intuito de informar as empresas que elas poderão ser responsabilizadas por veicular cenas que, segundo o neto, são caluniosas — ainda que elas não sejam autoras da obra. Uma reunião com os familiares será feita para avaliar quais medidas judiciais serão tomadas.

Procurada, a Cinemark e o Espaço Itaú, que têm salas com o filme em cartaz, informaram que não foram notificadas oficialmente. \MARINA GAMA CUBAS

 

(atualizado às 20h21)