Faena quer investir em SP

Faena quer investir em SP

Sonia Racy

11 Abril 2011 | 23h00

Foto: Paulo Giandalia/AE

Alan Faena, responsável pela revitalização do bairro de Puerto Madero, em Buenos Aires, procura área em São Paulo. Pretende tentar repetir seu feito por aqui. Qual? O excêntrico empresário argentino criou um novo conceito de viver e morar em área totalmente abandonada e desvalorizada da capital argentina. Faena montou o empreendimento após vender complexo de moda por ele criado. E se dar o direto a um “intervalo” em Punta del Leste, até que tivesse uma boa ideia. Morou na praia… quatro anos.

Concentrado, idealizou como gostaria de viver, centrou foco em qualidade de vida, misturou arte e lazer. Surgiu com a ideia do Faena Art District e arredores, cujo destaque ainda é o Hotel + Universe. O hotel, arquitetado por Philippe Starck, é parte significativa do que é hoje um complexo residencial e cultural valorizadíssimo, com metro quadrado de US$ 7 mil, em média, segundo revelou Faena em sua rápida passagem por São Paulo, semana passada.

Investimento inicial? “Olha, posso te dizer que paguei quase nada pela área. Ninguém queria a região totalmente abandonada, ” diz ele, sem maiores números. Recursos, de onde vieram? Além de próprios, de investidores parceiros. O primeiro a aderir foi o bilionário russo Len Blavatnik, fundador do grupo Access Industries. Depois, entraram os irmãos Christopher e Robert Burch, do fundo de investimento Red Badge e Austin Hearst, neto de William Hearst.

Como os convenceu? “Asseguro a você que não lhes vendi números e, sim, um sonho, sem nenhum business plan”, explica Faena. Nenhum levantamento de retorno do capital, nenhuma pesquisa sobre impacto na região e possíveis resultados? “Não, fui pelo meu feeling”. O empresário gosta de dizer vende estilo de vida, e não camas em hotéis.

Também é sonho dele que, um dia, brasileiros e argentinos se tratem como na verdade seriam, povos irmãos. Neste sentido, convidou Ernesto Neto para expor em abril no Faena Art District, abrindo o setor internacional do complexo artístico.

Faena já fez uma tentativa de entrar no Brasil como empresário. Foi dele a ideia inicial de construir o que hoje é o Hotel Fasano, no Rio. Pedras entraram no caminho, e a iniciativa foi transferida para a JHSF e Grupo Fasano. Está também construindo em Miami, em um hotel na região de South Beach. Serão US$ 200 milhões de investimentos. Desta vez fez um business plan? “Não. Já mostrei que dou resultados”.