Extra extraordinária

Sonia Racy

24 Julho 2015 | 01h10

A criação de fundos para viabilizar a reforma do ICMS, abastecidos por meio de tributação sobre recursos repatriados, tem chance de sucesso? A Fazenda acha que sim. Tanto que incluiu na receita do Tesouro deste ano a arrecadação de R$ 11,5 bilhões com esse mecanismo.

Esta coluna ouviu sete integrantes do sistema financeiro, bastante experientes, sobre a proposta idealizada por Joaquim Levy. E constatou não existir unanimidade em relação ao tema. Vamos lá:

Extra 2

Parte dos entrevistados acredita que há, sim, chance de dar certo. Acreditam que a alíquota de 35% a ser cobrada (17,5% de multa e 17,5% de imposto) para quem trouxer dinheiro não declarado lá de fora não é fator impeditivo. “A Suíça deixará de lado o sigilo bancário e restará então aos ‘sem registro’ depositar seu dinheiro ‘nuvem’ em paraísos fiscais menos confiáveis,” justifica um banqueiro.

Extra 3

Outros avaliam que, se a alíquota a ser cobrada não cair, o dinheiro não vem. Lembram que a Colômbia e o México adotaram processo semelhante cobrando 10%. Alemanha, entre 5% e 7%. E a Itália aplica hoje taxa de 7,5%.

Extra 4

Dois dirigentes de bancos estão pessimistas e apostam que a adesão será ínfima. Além do imposto alto, mencionam a insegurança jurídica: “Quem garante o sigilo da operação?”, pergunta um. Ao que outro acrescenta: “Em tempos em que não se pode sequer fazer anotações no celular, quem vai se arriscar?”

Mesmo que não seja a RF a operar a internação dos recursos, e sim o sistema financeiro, o histórico no Brasil é de vazamento por todo lado.