“Eu sou o Brasil no mundo”

Sonia Racy

06 de setembro de 2010 | 23h08

Há quatro anos Ivete Sangalo foi com Preta Gil ver Beyoncé no Madison Square Garden, em NY, a mais famosa – e cara – arena de shows do mundo. De lá, ligou para o irmão e empresário Jesus: “Quero cantar aqui”. Corta.

Há dois anos, dois meses e alguns dias, sua empresa começou a negociar o show de gravação do novo DVD da baiana no ginásio. No último sábado, aconteceu, enfim, a apresentação no sonhado espaço. Que lotou. Num projeto de mais de R$ 5 milhões, viabilizados pela TAM, patrocinadora exclusiva, Ivete se tornou a primeira artista do Brasil a se apresentar por lá.

Sob lágrimas que descolavam seus cílios postiços, ela gritou: “Eu sou o Brasil no mundoooo”. A plateia de 15 mil pessoas – esmagadoramente brasileira- veio abaixo. A frase traduziu o que ela quer se tornar: uma cantora mundial. Tendência até natural, já que cobra o cachê mais caro do País, ao lado de Roberto Carlos. Outros artistas com cacife parecido, como Sandy, também tentaram carreira internacional. Visto que lhes foi recusado.

Dias antes da apresentação nos EUA, a coluna conversou com Jon Pareles, crítico musical do The New York Times. Acha que Ivete será aceita pelo público americano? “Embora tenha ganhado o Grammy Latino em 2005, penso que ela não é conhecida aqui pela mesma razão que faz com que muitos americanos sejam tão ignorantes em relação à música brasileira: a barreira da língua”, respondeu. Para ele, outro ponto contra é que os discos da cantora ainda não foram lançados acima da linha do Equador. A empreitada impressionou Pareles. “Fiquei surpreso ao saber onde ela iria cantar. Mesmo músicos brasileiros que vêm a NY, como Caetano Veloso, João Gilberto e Carlinhos Brown, sempre se apresentam em salas menores, nunca em arenas.”

Durante entrevista coletiva realizada na última sexta, em NY, um jornalista americano da Associated Press questionou a cantora sobre não ser conhecida pelos americanos. “Você é que pensa, meu bem, eu estou bombando com o meu mega pôster pendurado no Madison”, rebateu a artista. Após risos, continuou: “Quando comecei minha carreira, eu também não era conhecida no Brasil. Agora sou”.

Na mesma coletiva, Ivete disse que o show nos EUA era para seu povo que mora no exterior pudesse participar. A coluna pediu para que ela mandasse um recado aos imigrantes brasileiros ilegais, que dão duro no exterior e nem mesmo podem visitar o Brasil. Tomada de surpresa, foi a única pergunta que se recusou a responder.

Mas, um dia depois, mandou seu recado durante o show: “Quero pedir para todos que coloquem a mão no ombro do brasileiro ao lado. Mas só naquele que for legal. E sabe por que, meus queridos? Porque não existe brasileiro ilegal. Todos são legais. Muito legais”. E chuva de palmas.

DÉBORA BERGAMASCO VIAJOU A CONVITE DA CACO DE TELHA.

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