‘Estou louca para fazer cinema’

‘Estou louca para fazer cinema’

Sonia Racy

02 Setembro 2015 | 01h20

Foto: Patricia Stavis

Ivete Sangalo agitou a festa de trinta anos do Tivoli Ecoresort da Praia do Forte, em Salvador, no último fim de semana. Sentindo-se em casa – a musa baiana tem uma residência no local – Ivete recebeu a coluna minutos antes de subir ao palco para animar (e muit0) os cerca de mil convidados de todas as partes do Brasil. Coincidência ou não, o axé – ritmo que consagrou a artista – também está completando trinta anos em 2015. A seguir, os principais trechos da conversa.

O axé está completando 30 anos. Como uma das precursoras do gênero, acha que o ritmo perdeu espaço para o sertanejo universitário, por exemplo?
Acho que não é uma questão de espaço, mas de oportunidades. É bom que exista esse movimento na música, faz a gente se renovar e dá oportunidade para os novos cantores mostrarem seu trabalho. Não vejo a palavra “crise” no axé. Sou um exemplo vivo de que o ritmo é avassalador.

Crise só no País mesmo…
Espero que aconteça uma onda de correção, que mude essa relação tão tranquila que os brasileiros têm com o absurdo. Acho que cada um de nós tem que ver onde a corrupção mora na gente. Não estou falando de dinheiro, mas de comportamento, aquele que passo para o meu filho, como me comporto. Tem que rever os princípios. Tipo: “Não roubo, mas jogo lixo na rua”. São esses pequenos atos que são os grandes atos. Acho que estamos no caminho de renovar as expectativas em nós e nos outros. A crise existe e espero que possamos passar por ela sem muitas rasuras.

Como uma mulher poderosa e bem-sucedida na carreira, como você, encara o fato de mulheres ganharem menos que os homens no mercado de trabalho?
É desconcertante responder a isso nos tempos de hoje. Aliás, em qualquer tempo. Acho uma tolice, um grande equívoco, algo extremamente preconceituoso. É contrário à evolução humana.

Você sempre foi vista como uma mulher ‘elétrica’. Deu uma acalmada com o tempo?
Que nada! Às vezes, nem eu me aguento, bicha (risos).

É ansiosa?
Não, sou agitada. Sou do reggae. Mas tem uns momentos em que fico recolhida. Poucos.

Acredita em alguma religião?
Tenho muita fé. No pensamento, na atitude e principalmente no bem, nas coisas de bem.

Quais seus próximos projetos?
Estou louca para fazer cinema. Tô querendo fazer um filme, mas para isso preciso de, no mínimo, três meses fora do palco – e essa é a parte mais difícil. O que eu mais gosto de fazer é cantar.

Já rolou uma proposta?
Já tenho uma ideia, só me falta dizer “vamos!” Mas ainda não posso falar. Depois não acontece e aí crio expectativas erradas. Mas posso lhe dizer que, como atriz, tenho muitos planos./ SOFIA PATSCH