‘Estamos jogando fora um tesouro’, diz professora sobre universidades sem recursos

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Professora Dra. Soraya Smaili. Foto: José Luiz Guerra/Unifesp

Com um corte de R$ 739,9 milhões na área de educação e pesquisa, na segunda-feira passada, o governo Bolsonaro definiu para o setor, em 2022, um dos mais ingratos orçamentos da história da República. “Estamos jogando fora um tesouro”, resume, sobre o que está se perdendo, a professora Soraya Smaili, farmacologista, que já foi reitora da Unifesp e participa ativamente da defesa da pesquisa no País, coordenando o grupo SoU_Ciência. No Orçamento das universidades federais, “a queda desde 2019 já é de 25% no custeio, que só atende às despesas básicas”, alerta Soraya, que dá aulas na Escola Paulista de Medicina.

O atual governo vem tomando seguidas decisões em prejuízo da pesquisa, da ciência e da cultura em geral no País. Pode fazer um balanço dos prejuízos?

Dentre os maiores prejuízos temos os cortes orçamentários e a campanha de difamação das universidades públicas e da Ciência – já que 90% da ciência brasileira é feita nas universidades. Tivemos cortes enormes em institutos federais, especialmente do FNDCT e FINEP – que são fundamentais para apoiar a infraestrutura (laboratórios, equipamentos, edificações). No CNPq, chegamos a níveis de 15 anos atrás. Estamos jogando fora um tesouro.

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No curto prazo, onde isso pega mais pesado?

A queda no orçamento das federais a partir de 2019 já é de mais de 25% no orçamento de custeio – que só atende às despesas básicas. O orçamento de investimento (laboratórios, livros, reformas e construções) está praticamente zerado, não dá para fazer nada. Temos estruturas deterioradas, correndo riscos. Não há como comprar livros ou equipamentos de TI, por exemplo. Os gestores precisam fazer escolhas difíceis todo dia, do tipo ‘este mês pagamos a luz, no mês que vem pagamos a limpeza’. Com o retorno presencial já em andamento, as universidades precisariam de recursos para limpeza, testagens, estruturas de ventilação, as máscaras. Mas não há orçamento.

Nas contas da SBPC, a Capes e o CNPq perderam nos últimos 10 anos 51% da verba que normalmente recebiam. Quando fala em “recuperação do sistema”, a sra. se refere a um novo governo em 2023?

Exatamente. Temos que recuperar o que perdemos, este é o mínimo. Isso não vai acontecer imediatamente, mas é preciso ter um planejamento para a retomada. Precisamos de um governo que apoie o Estado e o desenvolvimento estratégico do País ao invés de negar os avanços da ciência e a educação para os seus jovens.

A sra. ou o seu grupo têm planos, saídas concretas para pôr em prática quando isso for viável?

O SoU_Ciência está fazendo pesquisas sobre a necessária retomada da expansão da educação superior e do financiamento para propor políticas para o cenário pós-pandemia. Deveríamos atingir 7 milhões de matriculados no ensino superior até 2023, mas estamos estagnados desde 2017. Estamos em situação muito perigosa e sobrevivendo com o basal. Mas as pessoas estão cansadas e perdemos muita gente. É preciso mudar essa situação, recuperar o tempo perdido e voltar a crescer. /GABRIEL MANZANO

Professora Dra. Soraya Smaili. Foto: José Luiz Guerra/Unifesp

Com um corte de R$ 739,9 milhões na área de educação e pesquisa, na segunda-feira passada, o governo Bolsonaro definiu para o setor, em 2022, um dos mais ingratos orçamentos da história da República. “Estamos jogando fora um tesouro”, resume, sobre o que está se perdendo, a professora Soraya Smaili, farmacologista, que já foi reitora da Unifesp e participa ativamente da defesa da pesquisa no País, coordenando o grupo SoU_Ciência. No Orçamento das universidades federais, “a queda desde 2019 já é de 25% no custeio, que só atende às despesas básicas”, alerta Soraya, que dá aulas na Escola Paulista de Medicina.

O atual governo vem tomando seguidas decisões em prejuízo da pesquisa, da ciência e da cultura em geral no País. Pode fazer um balanço dos prejuízos?

Dentre os maiores prejuízos temos os cortes orçamentários e a campanha de difamação das universidades públicas e da Ciência – já que 90% da ciência brasileira é feita nas universidades. Tivemos cortes enormes em institutos federais, especialmente do FNDCT e FINEP – que são fundamentais para apoiar a infraestrutura (laboratórios, equipamentos, edificações). No CNPq, chegamos a níveis de 15 anos atrás. Estamos jogando fora um tesouro.

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No curto prazo, onde isso pega mais pesado?

A queda no orçamento das federais a partir de 2019 já é de mais de 25% no orçamento de custeio – que só atende às despesas básicas. O orçamento de investimento (laboratórios, livros, reformas e construções) está praticamente zerado, não dá para fazer nada. Temos estruturas deterioradas, correndo riscos. Não há como comprar livros ou equipamentos de TI, por exemplo. Os gestores precisam fazer escolhas difíceis todo dia, do tipo ‘este mês pagamos a luz, no mês que vem pagamos a limpeza’. Com o retorno presencial já em andamento, as universidades precisariam de recursos para limpeza, testagens, estruturas de ventilação, as máscaras. Mas não há orçamento.

Nas contas da SBPC, a Capes e o CNPq perderam nos últimos 10 anos 51% da verba que normalmente recebiam. Quando fala em “recuperação do sistema”, a sra. se refere a um novo governo em 2023?

Exatamente. Temos que recuperar o que perdemos, este é o mínimo. Isso não vai acontecer imediatamente, mas é preciso ter um planejamento para a retomada. Precisamos de um governo que apoie o Estado e o desenvolvimento estratégico do País ao invés de negar os avanços da ciência e a educação para os seus jovens.

A sra. ou o seu grupo têm planos, saídas concretas para pôr em prática quando isso for viável?

O SoU_Ciência está fazendo pesquisas sobre a necessária retomada da expansão da educação superior e do financiamento para propor políticas para o cenário pós-pandemia. Deveríamos atingir 7 milhões de matriculados no ensino superior até 2023, mas estamos estagnados desde 2017. Estamos em situação muito perigosa e sobrevivendo com o basal. Mas as pessoas estão cansadas e perdemos muita gente. É preciso mudar essa situação, recuperar o tempo perdido e voltar a crescer. /GABRIEL MANZANO

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