Essência de vida

Essência de vida

Sonia Racy

25 de maio de 2013 | 01h16

Rajshree Patel (Foto: Paulo Giandalia/Estadão)

De passagem pelo Brasil, para “afinar” os professores da Arte de Viver, Rajshree Patel é direta. A ONG, que ensina técnicas respiratórias dentro de um contexto de individualização, não prega religião alguma. “Entendo por que alguém possa pensar assim, pois Sri Sri Ravi Shankar, o fundador, é da Índia e nasceu em família hindu. Mas não temos religião”, explica. Leia a seguir os principais trechos da conversa com a coluna.

O que é a Arte de Viver?

São ferramentas, técnicas, princípios básicos que nos ensinam a gerenciar a nós mesmos. Você pode chamar de autodesenvolvimento. Esta é uma ciência que foi descoberta por mestres indianos que foram fundo em si mesmos. Sabemos gerenciar tudo externamente, mas não como nos gerenciar no mundo.

Por que a forma de respirar é tão importante?

Se você não respira, não vive. Essa é a ferramenta número um. No primeiro ato de nossa vida, inspiramos, é a vida. O último é expirar, a morte. No intervalo, inspiramos e expiramos. É uma técnica antiga, mas a ciência dela foi perdida. E Sri Sri a recuperou.

O que é preciso fazer para quem quiser ir à Arte de Viver?

A pessoa precisa reconhecer que pode fazer mais na vida do que está fazendo. Posso ser feliz se rio 20 vezes por dia. Posso fazer isso 30 vezes por dia. Se estou atingindo 80%, posso atingir 90%. Se sou amável, posso ser mais amável. Assim, você não precisa fazer nada. Só precisa querer ir.

Vocês têm um trabalho com as Nações Unidas.

Trabalhamos em vários níveis com a ONU, defendendo questões globais. Há dois anos, estive na Conferência Anual da Juventude, dando uma palestra sobre resolução de conflitos, com o ator Forest Whitaker. Recentemente, fizemos uma parceria com Sudão, Sudão do Sul e Uganda, trabalhando com crianças-soldados – ensinamos técnicas para gerenciar formas extremas de violência. E fazemos trabalho comunitário.

O que diria a quem quer conhecer a Arte de Viver?

Ontem mesmo, na palestra, eu disse: “Se alguém fala com você 10 horas por dia sem parar, não importa o quanto você ame a pessoa, ficará entediado de ouvir”. Isso acontece também em nossa mente. O problema é que não estamos mais ouvindo – aliás, ninguém está. Um carro tem de passar por revisão a cada 30 mil, 100 mil quilômetros. Com a mente acontece o mesmo: você tem de ajustá-la, aprendendo a ficar em silêncio, para que algo novo surja, alguma energia apareça na vida. É essencial.

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