Esperando Bob

Sonia Racy

22 de setembro de 2011 | 23h01

Bob Wilson, artista top do universo teatral do século 21, faz hoje a primeira de três apresentações de Krapp’s Last Tape, de Samuel Beckett, em Porto Alegre. Em conversa com a coluna (quarta-feira, durante almoço na casa de Silvana Tinelli), o americano se mostrou algo apreensivo. Acostumado a trocar de cidade pelo mundo, o jet-leg o pegou. Sentar-se na primeira classe do avião não o protegeu de ficar acordado a noite inteira, acompanhando ataque epilético de uma passageira transferida para sua cabine.

Isso, entretanto, não impediu o multiartista de 70 anos de fazer vários périplos durante o dia e a noite. “Ainda não estou com 70, só dia 4”, adverte, avisando que comemorará a data em Berlim.

Bem humorado, ciceroneado pela amiga francesa Luizah Hennessy, Wilson perguntou por Ruth Escobar, com quem trabalhou. “Chegaram a fechar o teatro por uma semana”, lembra. Tempos de ditadura, o regime custou a entender a peça, na qual ele permanecia em silêncio por sete horas. “Não, não foi um recorde de mudez. Meu primeiro trabalho exigia 12 horas de apresentação calado”, se diverte.

Sobre a possibilidade de encenar montagem brasileira da peça Happy Days, também de Beckett, nem uma palavra.

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