Equilíbrio cambial

Sonia Racy

22 de outubro de 2010 | 23h09

Armínio Fraga não espera grandes avanços durante o encontro de ministros e presidentes de banco centrais iniciado ontem na Coreia. A ideia de transformar o SDR (moeda virtual criada pelo FMI, composta de cesta de moedas diversas) em algo que possa vir a “substituir” o dólar como principal moeda de reserva no mundo deve ter fôlego curto. “Este tipo de coordenação é difícil. Veja o caso da Rodada de Doha, do Protocolo de Kyoto e mais recentemente, da regulação financeira internacional pós-crise”, exemplifica o economista.

Adotar uma moeda virtual como o SDR e limitar o crescimento das reservas significaria que países aceitassem abrir mão de parte da sua soberania. ” Essa proposta ressurgiu há dois anos por meio da China. Ela sugeriu trocar reservas por SDRs. Ninguém quis…”

Na visão do titular da Gávea Investimentos, os países continuarão a competir entre si, preservando cada qual, a sua moeda. “O mundo tem uma tendência a dar certo”, brinca o reconhecido eterno otimista. Hoje, a China, do alto dos seus trilhões de reservas em dólares, se encontra no centro do furacão cambial internacional A China, é fato, avançou um pouco esta semana desvalorizando o yuan, o que tende a acalmar os mercados por um tempo. Para o ex-presidente do BC, se os países de primeiro mundo abrirem um pouco mais de espaço para os chineses na governança econômica global, eles poderiam, na outra mão, topar outros passos que restituam o equilíbrio cambial.

Para lembrar: Arminio Fraga é único brasileiro integrante do Group of Thirty, liderado por Paul Volcker, que discute questões ligadas ao sistema financeiro internacional.

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