Entre socos e dólares

Entre socos e dólares

Sonia Racy

08 de setembro de 2015 | 02h05

Foto: Paulo Giandalia/Estadão

A economia vai mal, os clubes de futebol afundam em dívidas, mas a UFC Brasil, que organiza as lutas de Ultimate Fighting no País, solta rojões. “Estamos crescendo uns 20% ao ano”, garante o diretor da empresa, Giovani Decker — sem adiantar números. E o próximo passo, depois do sucesso da noitada no Rio de Janeiro em agosto, está definido. No dia 7 de novembro, no Ibirapuera, em São Paulo, o grupo traz de volta ao ringues o badalado Vitor Belfort, para um tira-teima contra o americano Dan Henderson. “No Rio, 15 mil pessoas lotaram o Maracanãzinho. O programa foi transmitido para dezenas de países, bombou nas redes sociais e impactou cerca de 93 milhões de pessoas”, resume Decker. Na luta final, a americana Ronda Rousey nocauteou a brasileira Bethe Correia em 37 segundos.

A queixa, de muita gente, de que a UFC é brutal e significa um “estimulo à violência” não chega a preocupar o grupo. Só como exemplo: a Justiça derrubou em agosto uma ação do Ministério Público paulista contra o patrocínio de uma dessas noitadas, que havia sido bancada pela própria Prefeitura na gestão Gilberto Kassab. O novo “pacote” paulista repetirá o modelo americano, já usado no Rio. “Vamos ter celebridades, formadores de opinião, áreas nobres e atrações paralelas, num evento que deve se estender por cerca de oito horas”. Decker quer promover “um bom programa mesmo para quem não seja fã do UFC”.

O negócio no País “já é o terceiro maior do grupo no planeta” e rivaliza com sedes de peso como Londres e Cingapura, diz Decker, um gaúcho de 42 anos que deixou a Asics em março para assumir a subsidiária brasileira. “É uma trabalheira”, resume, lembrando que o que acontece dentro do ringue é só uma parte das preocupações”. “Os fãs não têm noção do que é montar uma noite dessas. É tarefa de semanas, para umas 500 pessoas”, revela. “E acaba beneficiando muita gente à sua volta, requisitando serviços de todo tipo e turismo.”

Decker enfatiza: 57% das 15 mil pessoas que lotaram o Maracanãzinho em agosto são de fora do Rio. “É gente que toma avião, usa carro, fica em hotel, toma táxi, almoça na rua”.

Para o futuro, sua norma é fazer mais com menos”. Ou seja: a UFC Brasil vai concentrar as lutas em poucas cidades, além de SP e Rio. E problemas como o doping de Anderson Silva também não lhe tiram o sono. “Quando ele voltar ao ringue, com certeza teremos lotação esgotada.” / GABRIEL MANZANO