Camarote N. 1 ‘é o Super Bowl do carnaval’, diz Zé Victor Oliva

Camarote N. 1 ‘é o Super Bowl do carnaval’, diz Zé Victor Oliva

Sonia Racy

21 de fevereiro de 2020 | 00h03

FOTO: SILVANA GARZARO/ESTADÃO

Zé Victor Oliva vai conseguir ver – pela primeira vez em três décadas – os desfiles das escolas de samba do Rio. “Este ano montei uma equipe com o Álvaro Garnero, o Flávio Sarahyba e meu filho, Antonio. De agora em diante, o trabalho no camarote é com eles”, diz o empresário, que comemora três décadas do famoso Camarote N.º 1, na Sapucaí — que Oliva vê como uma espécie de “Super Bowl do carnaval”. “Muita coisa aconteceu nesse camarote. Muita fofoca, muita transa, muita separação, muito casamento e muita traição”, relembra o eterno rei da noite. “O (Ricardo) Boechat até escreveu um livro sobre o espaço, dez anos atrás, que nunca foi publicado”, entregou Oliva, que disse também estar otimista com Regina Duarte como secretária da Cultura de Bolsonaro. A seguir, os melhores momentos da conversa.

Como está a expectativa para o carnaval desse ano?
É a melhor possível. São 30 anos de camarote, uma data que mostra que a gente vem acertando há muito tempo. Há 30 anos não existia esse modelo, fomos pioneiros. Muita coisa aconteceu dentro desse camarote, muita fofoca, muita transa, muita separação. Tem muita história também. O Boechat até escreveu um livro sobre ele, dez anos atrás, que nunca foi publicado. O livro está pronto no computador dele. Um dia eu tenho que ir lá pegar.

Por que não foi publicado?
Porque 90% das fotos tinham pessoas no fundo às quais não dava pra pedir autorização para uso de imagem. Vai saber se o cara estava com a mulher, se era namorada ou não. Podia ter dado uma ‘merda’ louca… O jurídico da Ambev barrou a publicação na época.

O público mudou muito de lá pra cá. Os artistas deram espaço para os influenciadores digitais. Isso mudou a dinâmica do local?
Quando o espaço saiu da Ambev e veio às minhas mãos, fomos para um outro lado. Somos um camarote de gente bonita, alegre e de pegação. E o engraçado é que o número de pessoas é exatamente 50% homem e 50% mulher, poucos casais. É um camarote para ver, ser visto, curtir, não estar preocupado se vai sair na mídia ou não, se sair, legal, se não sair, ok também. Sábado das Campeãs é o maior sucesso, disparado, tudo vendido ao preço que a gente quiser. No ano passado estava tudo lotado, um casal não pôde vir, por algum problema e devolveu os convites. Lá na porta um cara falou: “Eu pago o quanto vocês quiserem para entrar”. E acabou pagando 40 mil reais. Porque é assim, virou a festa do Rio, independente do Carnaval. Virou o melhor lugar para ver o desfile das seis melhores escolas. É o filé. É como um Super Bowl.

Você está passando o bastão para seu filho, Antonio. Como está sendo essa transição?
Pela primeira vez, em 30 anos de camarote, vou conseguir ver um desfile de escola de samba. Nunca, antes, saí da porta. Nunca saí dos shows. Nunca encostei a barriga lá na Sapucaí. E este ano eu montei uma equipe – com o Álvaro Garnero, o Flávio Sarahyba e meu filho Antonio, que é festeiro pra caramba. De agora em diante é com eles. Eu vou, fico lá à vontade. E faço tudo o que quiserem, se precisarem de mim estou lá. Geralmente aparece alguma autoridade, prefeito, governador.

O quanto o politicamente correto interferiu nos seus negócios?
Acho que o politicamente correto acabou com tudo. Acabou com os políticos, com as personalidades. O politicamente correto, para mim, é uma espécie de censura. Deixou todo mundo igual, ninguém fala mais nada. Olha, no meu Instagram falo o que penso de qualquer assunto e assumo as consequências. O mundo está muito estranho. Um exemplo foi o caso do Zé Mayer, o ator que cantou uma menina lá na Globo e foi mandado embora. Um outro ator da mesma emissora, esse José de Abreu falou da vagina da Regina Duarte e está tudo bem. Isso também não é assédio? Acho um absurdo. Falar da Regina Duarte, que é um amor de pessoa, que só quer o bem dos outros.

O que achou de a atriz virar secretária da Cultura do governo Bolsonaro?
Eu sinceramente acredito que ela tem uma boa vontade imensa. Quero que ela me surpreenda. Fiquei supercurioso ao ver tanto antagonismo contra ela. Até hoje só acho que ela fez coisa boa. Talvez não lembrem, mas teve uma série chamada Malu Mulher – na época, a série foi para a televisão o que a revista Realidade foi para a imprensa. Falavam de assuntos que há trinta anos atrás eram tabus na sociedade brasileira.

Como enxerga a questão da Cultura no governo Bolsonaro?
A questão do Bolsonaro com a Cultura é uma merda, parece que ele toma atitudes se vingando de alguma coisa. Por outro lado, acho que a questão da cultura já não vinha bem desde os governos anteriores. A Lei Rouanet sempre foi muito mal empregada. Ela nunca visou trazer cultura para ninguém. Sempre foi utilizada pelas empresas para fazer marketing, o que é completamente diferente.

Votou no Bolsonaro?
Votei no Bolsonaro, assim como votei no Lula no segundo mandato. Não acredito em partido, não consigo entender nenhum partido. Acho que houve uma desilusão com o Lula, com a figura daquele homem extraordinário, que poderia ter sido o maior estadista do Brasil e se transformou num bêbado, num presidiário corrupto. E não me diga que não é verdade. Conheci o Lula e fiquei impressionado. Foi em 1983, é um cara inteligentíssimo, carismático. Mas, contra fatos não há argumentos. Acho que o Brasil merece coisa melhor sempre.

Se o Luciano Huck se candidatar, você vota nele?
Não sei. Gosto muito do Luciano, um dos primeiros trabalhos dele foi comigo, no Gallery. Acho ele superpreparado, mas prefiro dar minha opinião quando começar a campanha, porque temos outros candidatos. Acho que existe a possibilidade de termos o Moro, que acho um supercandidato. Se ele entrasse não teria pra ninguém. O Bolsonaro hoje estaria reeleito. / SOFIA PATSCH

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