Em nome de Deus

Em nome de Deus

Sonia Racy

17 de julho de 2013 | 01h09

Foto: Arquivo pessoal

A cantora Mara Maravilha, evangélica há 18 anos, cobra: “Como pastor, Marco Feliciano tem de perceber que foi Deus quem permitiu a Dilma ser presidente – porque nada acontece sem sua permissão”. Em lugar de criticar, sugere, ele “deveria abençoar Dilma e seu governo”.

Motivo das declarações? Horas depois de a presidente receber, anteontem, no Planalto, grupo de 16 cantoras evangélicas – Mara entre elas – , o deputado do PSC usou seu perfil no Twitter para classificar a reunião de “engodo”.

Postou Feliciano: “Acorda, igreja! Por que não chamaram pastores? Porque haveria reivindicações, conversa séria sobre problemas reais. Mais um engodo!”; “Dilma precisa – e muito – de orações, mas também precisa manter sua palavra – como a de ser contra o aborto, o que não tem feito!”; e “Será que as cantoras pediram o veto da lei que tornará o aborto legal? Com certeza, não. E por quê? Por não ter conhecimento”. Horas depois, escreveu: “Meus posts na madrugada foram um ataque frontal ao Palácio do Planalto. Nada contra as cantoras”.

Em entrevista à coluna, Mara declarou que as “duas grandes vítimas da manifestação” que tomou as ruas são “o povo e Dilma”. “Estão agindo como se ela fosse a grande causadora dos problemas do Brasil, mas o foco não é a presidente, é o sistema.” A cantora contou ter falado a Dilma, “com todo o respeito”, que não votou nela em 2010 – optou por Marina Silva no primeiro turno e estava fora do País no segundo.

“Cheguei a ver lágrimas nos olhos dela e a enxerguei como uma pessoa humana e receptiva.” Dilma ganhou uma eleitora? “Hoje, ela teria meu voto. Mas não sou petista, não.”

Pensa em se candidatar? “No momento, estou orando… Mas não descarto a possibilidade.”/THAIS ARBEX

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