Em homenagem, Gilmar fala de ‘tempos estranhos’

Em homenagem, Gilmar fala de ‘tempos estranhos’

Sonia Racy

21 de fevereiro de 2018 | 00h58

GUIOMAR E GILMAR MENDES

GUIOMAR E GILMAR MENDES. FOTO DENISE ANDRADE/ESTADÃO

Ninguém usou a palavra desagravo, mas era disso que se tratava. Os mais de 80 advogados – em sua maioria, criminalistas – presentes ao jantar com Gilmar Mendes, anteontem, no Intercontinental de São Paulo, lá estavam para apoiá-lo em sua convicta defesa do habeas corpus e aplaudir suas críticas ao que ele chamou de “tempos estranhos”.

“Alguma coisa deu errado, e a gente precisa discutir isso”, advertiu o ministro na sua fala de mais de meia hora, dirigindo-se a mesas onde estavam figuras como o decano Mario Sergio Duarte Garcia, José Luís de Oliveira Lima, José Roberto Batochio, Fabio Tofic Simantob, Pierpaolo Bottini e, na parte final, José Eduardo Cardoso. Aclamado por muitos, no mundo jurídico, como a mais vigorosa voz contra a forma de combate à corrupção por promotores e juízes, o ministro afirmou: “Temos ficado silentes diante de muitos absurdos”. E avisou que “um dia vamos olhar para este período com muita vergonha”.

Antonio Mariz de Oliveira, que faria o discurso de homenagem, ficou doente e não pôde ir. A tarefa coube a Técio Lins e Silva – que deu o tom da noite ao afirmar que “hoje vemos juízes invocando a vontade popular para decidir”, atitude que comparou às leis do nazismo e do stalinismo.

Era farta a lista de erros a combater mencionada pelos dois oradores. Lá estavam a intervenção federal no Rio, a condução coercitiva, as prisões provisórias, a delação premiada, as Dez Medidas do MP… “Não há maior segurança jurídica do que o respeito à lei”, lembrou o ministro. “Poder vazar uma delação premiada é um poder imenso”, ponderou. Houve muitos aplausos quando ele elogiou a OAB “dos tempos de Raymundo Faoro” – uma crítica ao silêncio da Ordem sobre vários temas atuais. Ele citou, por fim, frase que já dissera a colegas de STF: “Temos um encontro marcado com as prisões alongadas de Curitiba.”

Marcos da Costa, presidente da OAB-SP, não apareceu. Assim, Batochio ficou à vontade para fazer campanha de uma chapa dissidente nas eleições da OAB paulista, no final do ano, encabeçada por seu pupilo, Ricardo Toledo. / GABRIEL MANZANO

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