Em comunicado, Andrade Gutierrez contesta justificativas da PF para prisões

Sonia Racy

23 Junho 2015 | 19h16

A exemplo do que fez a Odebrecht, a Andrade Gutierrez divulga amanhã comunicado em que nega cartel e contesta fortemente a prisão de seus executivos – o presidente da holding, Otávio Marques Azevedo, o diretor executivo Elton Negrão, além de Paulo Dalmazzo e Antonio Pedro Campello Dias. Entre outras, a empresa nega qualquer irregularidade na venda de uma lancha, feita por Otávio Azevedo, ao doleiro Fernando Soares – o Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema investigado na Operação Lava Jato.

“Foi uma transação comercial legal, registrada nos órgãos competentes, declarada à Receita Federal e sem qualquer conexão com as investigações”, diz o comunicado. Ele acrescenta, ainda, que Azevedo já havia comunicado essa venda, “espontaneamente”, à Polícia Federal em novembro de 2014.

Em outros trechos, o texto reafirma que a Andrade Gutierrez “vem colaborando com a Justiça”, que não há nada contra os dois executivos que justifique a prisão e que, “ao contrário do que consta na decisão judicial”, Azevedo “jamais exerceu a função de presidente da Construtora Andrade Gutierrez”.

Sobre Elton Negrão, o comunicado informa que a referência a seu nome no processo diz respeito à assinatura de um contrato de prestação de serviço com a empresa Riomarine, em 2008 – serviço que foi efetivamente prestado.”A prisão de Elton Negrão foi feita com base em uma suspeita de irregularidade nesse contrato sobre a qual os próprios investigadores não encontraram qualquer prova”, enfatiza o texto.

Mais adiante, ele afirma que “causa espanto” o argumento de que as prisões “foram decretadas para garantir a ordem pública e evitar a repetição de ilícitos” – uma vez que as empresas investigadas “continuam prestando serviços para a Administração Pública”.

A Andrade Gutierrez define as prisões como “evidente inversão da presunção de inocência”, pois ao decretá-las, a autoridade “já tem como certa a ilegalidade dos negócios da empresas do grupo – o que é evidentemente ilegal e inconstitucional”.

Quanto a Paulo Dalmazzo e Antonio Pedro Campello Dias, no entender da empresa, a prisão de ambos “seguiu o mesmo padrão de falta de provas já comentado”.

Ao final, afirma: “Tendo em vista a fragilidade dos argumentos da “equipe” de acusação, a empresa considera inadmissíveis as prisões com base em presunções genéricas e depoimentos inverídicos.”