Em busca de uma moda mais humanitária

Em busca de uma moda mais humanitária

Sonia Racy

21 Abril 2018 | 00h15

John Isaac

Emma Hepburn Ferrer, neta da eterna bonequinha de luxo Audrey Hepburn, desembarca hoje no Brasil. A moça vem especialmente para assistir ao desfile da UMA, a convite de Raquel Davidowicz – segunda, no Museu da Imigração. O tema do desfile é de interesse de ambas: imigração. A artista americana, que é embaixadora da ONU para trabalho com refugiados, conversou com a coluna. Abaixo, trechos da entrevista.

Como começou sua parceria com a UMA?

Eu e a Raquel nos conhecemos por meio de um amigo em comum, o estilista Geová Rodrigues. Desde então temos feito um monte de colaborações bacanas de moda, arte, editoriais e trabalhos humanitários.

Como você descreve sua relação com a moda ?

Sempre dei um jeito de ter a moda presente na minha vida: trabalhar com estilistas, como modelo ou estudar e pesquisar. Ironicamente, nunca me considerei uma ‘fashionista’ em nenhum sentido e nem segui tendências. Procuro achar meu próprio estilo, que acaba sendo vintage, com roupas de segunda mão e peças étnicas misturadas. Também não associo somente beleza à moda. Acredito que o mundo fashion serve para empoderar mulheres e fazer com que elas se sintam bem consigo mesmas, não o oposto.

O que você conhece sobre o Brasil?

Pouco. Sei de uma turbulência social, praias bonitas, picanha e caipiroska.

Quando e como começou seu trabalho com refugiados na Acnur?

Eu estava vivendo entre os EUA e a Europa quando comecei a me envolver e me inteirar das situações dos refugiados. Uma quantidade impressionante é de crianças que, muitas vezes, estão desacompanhadas. Senti um profundo chamado me dizendo que eu deveria estar envolvida. Então me aproximei da Acnur e, antes que eu percebesse, eles me convidaram para ajudar. Alguns meses depois eu consegui levantar uma quantia considerável de fundos e planejei minha primeira viagem missionária – foi para a Grécia.

Como foi essa experiência?

No verão de 2016 viajei com eles para trabalhar em campos de refugiados. Isso faz parte de uma iniciativa de realocação da UE, que foi criada para ajudar a retirar os refugiados dos acampamentos e encaminhá-los para os lares, para facilitar sua transição para a sociedade ocidental.
/ MARILIA NEUSTEIN