Eles vão se entender

Eles vão se entender

Sonia Racy

10 de dezembro de 2013 | 01h10

Foto: Vera Donato

Dilma e Obama vão se entender, até porque não há alternativa. “São países amigos, tem de haver diálogo para sair desse impasse”, frisou Bill Clinton, durante rápida conversa com a coluna, pouco antes do jantar oferecido, domingo, pelo prefeito Eduardo Paes, Nizan Guanaes e Luciano Huck. Por conta do evento da fundação Clinton Global Initiative, no Rio.

Por que escolheu o Brasil para fazer o evento? “Se não fizesse aqui, Nizan nunca mais falaria comigo”, brincou.

O senhor é a favor da política de espionagem do jeito como está formatada? “Na minha gestão, o setor de inteligência conseguiu, por meio de observação de padrões de comportamento, evitar vários ataques terroristas. Isso, entretanto, não justifica bisbilhotar a vida de ninguém”, ponderou, desconversando quando indagado se foi esse o caso da presidente Dilma.

Acompanhado de sua filha, Chelsea (que visitou e elogiou a favela do Vidigal), o ex-presidente americano ficou pouco tempo no Palácio da Cidade, pulando o jantar – o que frustrou, de certa forma, os 120 convidados espalhados por três mesas gigantes. Ainda assim, eles não resistiram ao carisma de Clinton: aplaudiram fortemente seu discurso conciliador.

O democrata brindou a plateia com palavras de evocação à defesa da integração mundial. “Pensamentos positivos promovem mudanças reais. A pergunta a ser feita não é mais o que fazer, mas como fazer, de maneira que produza resultados.”

Entre elogios a Mandela, amigo pessoal de sua família, Clinton destacou a maneira como o líder sul-africano fazia as coisas. “Ele colocou no gabinete da presidência gente responsável por seu encarceramento durante 27 anos. Portanto, quando você deparar com alguém de quem não aguente mais, lembre-se disso.”

Não passaram despercebidos por Clinton os muitos elogios que Sergio Cabral fez a Eduardo Paes, e vice-versa, durante seus respectivos discursos. Assim como não passou despercebido o fato de não ter sido feita qualquer menção à conversa de duas horas que o democrata teve, também domingo, com FHC.

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