Eleitor ‘continua não se achando representado’, diz Amoêdo

Eleitor ‘continua não se achando representado’, diz Amoêdo

Sonia Racy

15 de janeiro de 2020 | 00h45


JOÃO AMOÊDO. FOTO: ESTADÃO.

 

 

Na última eleição municipal, o Novo estava presente em apenas cinco cidades. Quatro anos depois, o partido de João Amoêdo se prepara para lançar candidatos a prefeito e vereador em 68 municípios no País. Esse crescimento o convence de que as metas do Novo fazem sentido: “É possível, sim, criar novas formas de fazer política no País”. Da sua prática nesses nove anos de batalha – a legenda foi criada em 2011 – ele tira outra conclusão: “Temos mais partidos mas os eleitores continuam não se achando representados”. Dividindo seu tempos entre Rio, onde vive com a família, e São Paulo, onde comanda o partido, ele diz ser “a favor de acabar com o excesso de burocracia” no TSE – ou seja, aprova as assinaturas via internet. “A Aliança de Bolsonaro e vários outros poderão conseguir em menos tempo (criar uma legenda) por meios digitais. Nada contra”.

Qual o seu balanço do Novo em 2019 e a expectativa para 2020, um ano eleitoral?
O ano de 2019 foi muito produtivo. Mostrou que é possível introduzir novas formas de fazer política no País. Um exemplo expressivo é o de Minas Gerais, onde elegemos o governador Romeu Zema. No Congresso, fomos muito atuantes na reforma da Previdência e depois na MP da Liberdade Econômica.

Que lições deu pra tirar do primeiro ano de Zema?
Ele pegou o Estado em situação pré-falimentar, procurou reforçar a estrutura administrativa, mudar rotinas, e o resultado, só nesse item, foi uma economia de R$ 1 bilhão nos gastos. Há um desafio pela frente, que é o regime de recuperação fiscal. Mas a lição que tiramos até aqui é que “dá pra fazer”.

O Novo tem uma estratégia específica para lançar candidaturas em outubro?
Estamos organizando o processo seletivo das candidaturas em 68 municípios, para prefeito e para vereador. Repito que não somos governo nem oposição, nossa meta é a criação de novos quadros qualificados. A decisão do Novo de não aceitar as despesas habituais do cargo, abrir mão de privilégios, permitiu uma economia, só em 2019, de R$ 37 milhões. Se os demais parlamentares fizessem o mesmo, s o Congresso economizaria R$ 1 bilhão.

Mas o Congresso e o Planalto estão mantendo o fundo eleitoral, que o Novo diz não aprovar.
No debate sobre o fundo eleitoral o que mais chama a atenção é o abuso que se faz dos recursos públicos. A certa altura foi enxertado no projeto um valor gigantesco, de R$ 3,8 bilhões – que a meu ver foi simplesmente um “bode na sala”. Aí reduziram bastante, para R$ 2 bilhões, e esse corte ficou parecendo um ato corajoso. Ora, em 2016 houve eleição municipal, exatamente como teremos em outubro. Já estávamos nas novas normas eleitorais. Não houve fundo especial nenhum, prefeitos e vereadores fizeram campanha, os eleitos tomaram posse, o País foi em frente. Os tais recursos não fizeram falta.

Novas entidades, como RenovaBR e Agora!, também formam quadros em busca de renovação. O sr. apóia?
É bom que esses novos grupos existam, formar quadros é uma tarefa importante. Mas acho que se deve demarcar o limite entre eles e os partidos. Cada um tem seu papel específico e não se pode achar normal que alguns quadros pertencentes a tais grupos atuem como se fossem líderes partidários. Aí dá confusão.

O governo tem um ministro que milita no Novo, Ricardo Salles, do Meio Ambiente. Isso significa que tipo de compromisso com Bolsonaro?
Nenhum, nem contra nem a favor. Ricardo Salles é do partido mas, como ministro, é um convidado pessoal de Bolsonaro. O ministério pertence ao presidente.

O partido que Bolsonaro está formando, a Aliança para o Brasil, deverá se beneficiar das assinaturas digitais, que facilitam muito a obter os 490 mil apoios. O que acha?
Sou a favor de acabar com o excesso de burocracia. Precisamos simplificar isso. Lá atrás, o Novo passou um longo tempo reunindo os apoios junto ao TSE. A Aliança e vários outros poderão conseguir em menos tempo por meios digitais, nada contra. Mas o que temos pela frente é outra questão: temos mais partidos mas os eleitores continuam não se achando defendidos nem representados. É preciso resolver isso.  / GABRIEL MANZANO

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