Elas, as mulheres

Elas, as mulheres

Sonia Racy

26 Março 2015 | 01h20

Foto: Daniela Ramiro

Maitê Proença participa, hoje, do seminário Mais Mulheres na Política, organizado por Marta Suplicy, na Fiesp. “Falarei como representante da sociedade civil. Como cidadã. Não receberei pagamento, faço por convicção”, explica a atriz, para quem só os privilegiados acham que o feminismo é antiquado. “As mulheres do mundo todo ainda sofrem com prostituição, casamentos prematuros, trabalho forçado, têm filhos que não desejam e que não podem alimentar, não têm controle sobre seus corpos ou suas vidas, não recebem educação, não têm liberdade ou reconhecimento, são estupradas, espancadas e, às vezes, mortas com impunidade”. E isso não só no Oriente Médio ou África, “mas aqui, ao lado de casa”.

No evento, diante de Paulo Skaf, Renan Calheiros e Eduardo Cunha, dados e números sobre a presença da mulher na política serão apresentados por deputadas e senadoras, mas Maitê pinçou dados relevantes para embasar sua palestra. É fato que mulheres fazem 2/3 do trabalho mundial, mas têm menos de 1% das propriedades mundiais. É fato que ganham menos do que os homens. E é fato que dar à mulher a possibilidade de estudo, de trabalho, de herdar, possuir e controlar os seus ganhos beneficia… a sociedade. “As sociedades mais pobres e retrógradas são sempre as que subjugam as mulheres. Ainda assim, essa verdade óbvia é ignorada por governos e também pela filantropia: para cada dólar dado a um programa de mulher, US$ 20 são doados a programas de homens.” Mulheres são 51% da humanidade. Empoderá-las mudaria tudo. “Não gostamos de guerras porque elas nos tiram nossos filhos e maridos.”

Na espécie humana “o macho molda a realidade e força o resto do bando a aceitar essa realidade seguindo suas regras”. Enfim, Maitê defende arregaçar as mangas e, “com paixão, criar um mundo melhor”.