‘Ela queria uma carreira internacional e estava chegando lá. Muito triste’, diz Michel Teló sobre Marília Mendonça

‘Ela queria uma carreira internacional e estava chegando lá. Muito triste’, diz Michel Teló sobre Marília Mendonça

Sonia Racy

13 de dezembro de 2021 | 06h01

Michel Teló. Crédito: Globo/Fabio Rocha

Michel Teló. Crédito: Globo/Fabio Rocha

Michel Teló se prepara para as oitavas de final da décima edição do The Voice Brasil – programa da rede Globo em que é pentacampeão, sendo o técnico que mais venceu a competição até hoje. Sobre esse fato, Teló diz que, além da técnica do participante, é guiado pela emoção da plateia. “O público é nosso maior feedback”, ressaltou em entrevista à repórter Sofia Patsch.

O cantor também pretende voltar, ano que vem, com o musical Bem Sertanejo. “É um projeto muito especial, onde contamos a história de como a música sertaneja surgiu no Brasil.”

Ele também comenta a enorme falta que Marília Mendonça já está fazendo para a comunidade sertaneja e para todos os seus fãs pelo Brasil afora. “Incrível como ela se comunicava – e não só com as mulheres, numa fala muito direta, muito clara, com todos nós”. A seguir, os melhores momentos da conversa.

Você deu declarações em que disse escolher os participantes do seu time no The Voice Brasil pela emoção que eles causam na plateia. Acredita que isso influenciou para ser o técnico que mais venceu a competição até agora?
Acho que sim. E também acho que é uma junção de vários fatores, mas sentir o público durante uma competição é muito importante. Eles são o maior feedback que temos. Afinal, criamos música pra alcançar o coração das pessoas. Logicamente, o candidato tem que cantar muito bem, precisa ter a técnica. E tem outro detalhe que faz toda a diferença, que é a escolha da canção. Cuidamos disso com muito carinho e dedicação, para que o candidato brilhe mesmo.

O sertanejo é um gênero musical que traz, em sua essência, muito desse contato direto do artista com o público. Acredita que vem daí essa sua percepção?
Venho do bailão, o grupo que era bom era o que lotava o salão e colocava todo mundo pra dançar. Sempre gostei da sala cheia, das pessoas participando, cantando junto. Sempre prestei muita atenção no termômetro do público, é uma coisa de que gosto e que o sertanejo em geral também curte. Venho treinando esse contato com as pessoas desde quando tinha ainda 12 anos, quando comecei a tocar nos bailes.

O sertanejo é o gênero musical mais ouvido pelos brasileiros. A que você atribui essa preferência?
Credito à nossa raiz, isso está no sangue. Todo brasileiro tem uma história de ir curtir no interior e essas memórias acabam ficando em um lugar especial do coração. E isso vem desde os anos 1990, quando teve a explosão dos “Amigos”. Ali o sertanejo já ocupou o primeiro lugar em execução.

Durante a pandemia, como ficou sem os shows e o contato com o público?
A pandemia tirou essa proximidade, começamos a nos virar, fazer as lives, tentar de alguma maneira ter essa aproximação, mas o contato direto, olho no olho, a galera cantando na frente, os shows lotadas, enfim, essa energia trocada ali ao vivo, nada substitui. Já vinha me preparando para dar uma desacelerada, ficar mais com a família,… Cheguei a fazer 250 shows por ano, o que dava uns cinco por semana. No ápice da loucura, cheguei e me apresentar em Barcelona em um dia e no dia seguinte estava tocando no “Planeta Atlântida” no interior do Rio Grande do Sul, sempre rezando para o avião não atrasar nem meia hora.

Pretende voltar com o programa “Bem Sertanejo”?
Na televisão não, mas como musical, sim. Vai ser um espetáculo teatral para setembro do ano que vem, no Teatro Bradesco. Vai ser uma apresentação na qual atores e cantores se juntam para cantar e contar a história da música sertaneja. Contamos como ela chegou ao Brasil, através da viola portuguesa trazida pelos bandeirantes, e como se modificou até chegar à viola caipira. Sou muito suspeito, mas é um dos projetos mais bonitos dos quais tive a alegria de fazer parte.

Como vê a falta que Marília Mendonça vai fazer para a comunidade sertaneja?
Uma tragédia, uma tristeza, ela estava no momento mais especial, confiante, estava brilhando. Incrível como ela se comunicava, não só com as mulheres, tô falando da música sertaneja, brasileira. Porque ela se comunicava numa fala muito direta, muito clara, com todos nós. Sei que ela queria uma carreira internacional, e ela estava chegando lá. Muito triste.

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