Ei, voce aí, me dá uma celebridade aqui

Redação

25 de fevereiro de 2009 | 06h00

Vamos deixar claro. Quem gosta de celebridade e festa boca livre não pode perder o convite dos camarotes montados pelas cervejarias Brahma e Nova Schin que, a cada ano, se esmeram ainda mais nos seus convites aos famosos, proporcionando todo conforto possível, além de atrações internas, como shows de rock “inter-escolas” e tudo mais, com direito a DJs e cantores.

A Brahma está “chegando à perfeição” e a Schin caminha. Não precisa sequer gostar de assistir aos desfiles.

Não, não era assim quando a Brahma, por ter sua fábrica na Sapucaí, inventou essa moda, adotada rapidamente por outras cervejarias. A ideia na época era convidar um seleto grupo de pessoas low-profile, que gostam de carnaval e queriam assistir aos desfiles com conforto, aproveitando a estrutura física que já lá existia. O foco eram a passarela e conversas ao pé da bateria, entre uma escola e outra, com políticos, empresários, distribuidores, amigos. Mas, ao passar uma escola, todo mundo ia para a mureta, de olho fixo no espetáculo.

O tempo passou, a era Celebrity se instalou. E no carnaval deste ano, pelo que se pode observar, a síndrome chegou no seu auge! Quem ama ver as escolas passarem se assusta com a preferência dos convidados de ambos os camarotes: querem mesmo é assistir ao desfile de famosos dentro dos recintos. Famosos que são disputados a tapa – ou a dólares – por cada uma das marcas de cerveja.

Que escola de samba, que nada. “Olha o Ronaldo chegando…” – e lá vai o batalhão de fotógrafos e de gente do tipo “quero ser celebridade mesmo que seja do B” atrás do moço. Coitado do Ronaldo? Nada disso, ele poderia fazer como Zico, que comprou um camarote da maior discrição para ver o carnaval com os amigos. Sua presença no sambódromo sequer foi registrada.

“Ei, chegou Grazi Massafera, olha lá o Rodrigo Santoro (que dizem ter embolsado R$ 120 mil para comparecer)”. E mais correria e tumulto. Coitados? De novo, Ana Maria Braga, este ano, também preferiu comprar o próprio camarote.

O ator americano Kevin Spacey, esse sim, aterrissou de gaiato no navio, ops, no camarote. Assustado com o assédio, teve que ir para um lugar reservado em separado pela Brahma para poder assistir às escolas de samba. Mal conseguiu, mas declarou ter gostado da festa. Matthew McConaughey, acompanhado da mulher Camila, se mostrava mais à vontade. “I Love Brazil” dizia.

Já o irmão de Dodi Al-Fayed, Karim, e sua mulher, Brenda Costa, apareceram tanto no espaço da Brahma como no da Nova Schin e conseguiram assistir aos desfiles, desviando de um fotógrafo e outro, ajudados pelo forte esquema de segurança que levaram.

Sem críticas significativas à organização. Mas quando festas dentro de camarotes se tornam maiores que o maior espetáculo da Terra, há algo errado no ar. Tanto assim que pessoas como Carolina Ferraz, Leticia Birckheuer e Lenny Niemeyer, fãs tradicionais e incontestes do carnaval carioca, pensam em se juntar para comprar um camarote e ver o desfile de maneira sossegada.

As cervejarias poderiam pegar o gancho e também repensar sua maneira de alavancar suas marcas durante o carnaval.

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