Edu Lyra prepara a primeira “Favela 3D”

Edu Lyra prepara a primeira “Favela 3D”

Sonia Racy

25 de dezembro de 2021 | 04h00

Edu Lyra. Foto: Felipe Rau / Estadão

Edu Lyra. Foto: Felipe Rau / Estadão

Versado em encontrar doações e estabelecer parcerias para ajudar quem necessita, Edu Lyra, fundador e CEO da Gerando Falcões, se prepara para tirar do papel um grande projeto em 2022. É a transformação de favelas em projetos urbanísticos de ponta, a Favela 3D, que promete ser digital e contemporânea. A primeira será em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, onde a favela Marte passará por diversas intervenções.

Para tanto, a Gerando Falcões já arrecadou R$ 15 milhões. A prefeitura local prevê gastar outros R$ 15 milhões e o Estado, R$ 28 milhões, totalizando R$ 58 milhões em investimentos, segundo Lyra. A Accenture fez um aplicativo para a comunidade com aporte de R$ 1 milhão da Fundação Lemann.

Imersão

Equipe da ONG vai identificar os problemas das famílias, reunindo dados no app. Agentes sociais e moradores criarão objetivos nas áreas da saúde, primeira infância e educação. “Ao longo de um ano, a meta é que as famílias acompanhadas alcancem um nível de autonomia seguro e nunca mais corram o risco de voltar à situação de vulnerabilidade social de antes”, afirma Lyra. A Favela do Vergel, em Maceió, e a do Morro da Providência, no Rio, também devem passar por essas melhorias.

O empreendedor social conhece as dificuldades da pobreza, cresceu em uma favela em Guarulhos. Recorda com emoção que a mãe sem ter meios recomendava dormir quando a fome batia e a comida tinha acabado. Hoje, tem como mantra acabar com a pobreza antes de Elon Musk colonizar Marte. E apesar de missão complexa, se vê como um “aprendiz incansável” nesta jornada. “Dar esperança para quem vive na favela, onde eu também vivi, é o que me traz mais satisfação”.

E neste dia de Natal, ele deixa o seu pedido: “Que o Papai Noel nos traga cada vez mais parceiros interessados em acabar com a pobreza, porque só unindo forças é que conseguiremos cumprir a missão de transformar a pobreza das favelas em peça de museu antes de Marte ser colonizado”. |  PAULA BONELLI

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