Eco sustentável, projeto privado, o Santa Sofia envolve 120 mil hectares de terra no Pantanal

Eco sustentável, projeto privado, o Santa Sofia envolve 120 mil hectares de terra no Pantanal

Sonia Racy

07 de outubro de 2020 | 00h50

Mário Haberfeld. Foto: Robert Kozman Jr.

Mário Haberfeld criou, no Pantanal, há dez anos, o Onçafari, que, como bem diz o nome, é ligado a “habituação” de onças. E, agora, conseguiu viabilizar o Projeto Santa Sofia – que envolve nada menos que 120 mil hectares na região. As fazendas Caiman, de Roberto Klabin, Fazendinha, de Teresa Bracher, e a Santa Sofia – comprada por um grupo de 8 pessoas físicas – fazem parte do projeto. Esta última tem 35 mil hectares e é a única que inclui trechos do rio Aquidauana, no sul do Brasil, e do rio Negro, ao norte. “Só ela tem 83 quilômetros de beira de rio que vamos proteger. Mas o nosso sonho é muito maior do que esses 120 mil hectares. Temos mais vizinhos que pensam como nós, com outros 130 mil hectares. Acredito que chegaremos aos 600 mil hectares,” conta Haberfeld que não revela valores da transação.

Neste primeiro passo, o misto de fazendeiro e ecologista se limitou à Fazenda Santa Sofia, localizada entre as propriedades de Teresa e Klabin (também sócios) formando um corredor ecológico. “Aparentemente, havia risco de alguém comprar e desmatar, o que seria um grande prejuízo não só pra fazenda, mas para todas as áreas em volta. Fizemos um road show online, durante a pandemia, e conseguimos investidores”. Leia abaixo a entrevista.

O que vocês ofereceram neste roadshow? 

Sabíamos desde o primeiro momento, que isso poderia se tornar uma fonte de renda. O projeto será autossustentável, em oito cotas da área, e separamos recursos equivalente a duas cotas para montar um fundo perpétuo. A ideia é que a área nunca mais seja vendida e nem dividida.

Como garantir isso?  

Estamos explorando algumas frentes. A mais óbvia é arrendar o pasto nativo para terceiros. O gado é o bombeiro do Pantanal. Ele mantém o capim mais baixo e se por ventura, pegar fogo, o incêndio será muito mais controlável. Outra opção, são créditos de carbono.

 Explique o que é isso. 

Hoje nós falamos de crédito de carbono e todos acreditam que isso seja um sonho. No ano passado, ainda sem a compra dos 35 mil hectares, conseguimos fechar a certificação e venda do crédito de carbono para a Rede Amolar, uma iniciativa que a Tereza (Bracher) tem no oeste do Pantanal. Assim vamos conseguir certificar a Santa Sofia. São 32 mil hectares de vegetação nativa e isso deve nos gerar quase 10 mil créditos de carbono por ano. Hoje cada crédito sai por US$ 2 a US$ 3 dólares. São US$ 30 mil, o que já ajuda.

Mas o objetivo de vocês é preservar a mata e nada mais?  

Tem um crédito de biodiversidade, coisa mais nova e ainda voluntária e ele depende de quantas espécies existem na área, seja de animais ou de plantas. Mas o foco futuro é a preservação com o ecoturismo. Venho, desde 2008, conversando com vários grupos de ecoturismo da África. Acredito que o ecoturismo seja uma das boas fontes de renda e de melhoria socioeconômica. É bom para o dono da terra e para os bichos, que passam a ter um valor econômico e param de ser caçados. Também é bom pra população local porque gera emprego. E esses grupos estão olhando para o Brasil.

 Oportunidade de investimento? Falta infraestrutura? 

Acho que não. Esses caras estão super acostumados a operar em países como o Zimbábue, a Tanzânia, em Botswana. Devem se sentir confortáveis no Brasil.

 

 

 

 

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