‘É uma lei de 22 anos’, diz Lottenberg sobre embaixada de Trump

Sonia Racy

08 Dezembro 2017 | 01h00

FERNANDO LOTTENBERG

FERNANDO LOTTENBERG. FOTO: CHRISTINA RUFFATTO

A decisão do presidente Donald Trump de transferir a Embaixada dos EUA para Jerusalém “não é uma novidade, é uma lei que tem 22 anos e ele resolveu levá-la à prática”. Feita essa constatação, o presidente da Confederação Israelita do Brasil, Fernando Lottenberg, acrescenta outra: “A decisão só reconhece uma realidade: que a capital de Israel situa-se em Jerusalém Ocidental. Lá está a Suprema Corte, lá está o gabinete do primeiro-ministro…”

O segundo ponto, diz Lottenberg, é que a decisão de Trump “coloca um princípio de realidade nas negociações de paz”. Não adianta imaginar que Israel vai sair de Jerusalém, que os palestinos vão conseguir a soberania na cidade inteira. “Isso não é um dado da realidade”, adverte.

E a violência? Por enquanto não está se vendo, mas pode ser que aumente. “Não é que não esteja havendo violência… o Oriente Médio é um lugar violento. O presidente do Iêmen foi assassinado na semana passada. Tem o Estado Islâmico, a guerra civil na Síria, o Hezbollah…” Enfim, pondera, esse é um gesto importante. “Acho que cabe agora ao outro lado buscar um gesto a seu favor e aí equilibra o jogo”.

O presidente da Conib lembra de 1948, quando a ONU decidiu pela partilha da Palestina: os árabes rejeitaram e partiram para a guerra. Depois, na negociação de Camp David, Mahmoud Abbas queria o retorno de todos os palestinos. Pelas contas, são cinco milhões. O problema, conclui, “não é Jerusalém, é a aceitação – ou não – da existência do Estado de Israel pelos árabes”. A lição que ele tira é que se as pessoas, de todos os lados, forem realistas e perceberem que o que acontece hoje não é o que foi combinado em 1948, “a negociação tem uma chance maior de ser bem-sucedida”.

Leia mais notas da coluna: 

IDDD vai participar da ação do PSOL para descriminalizar aborto

Exposição de gravuras chega ao Tomie Ohtake em 2018