‘É preciso repensar ação do SUS na Amazônia’, diz superintendente da Fundação Amazônia Sustentável

‘É preciso repensar ação do SUS na Amazônia’, diz superintendente da Fundação Amazônia Sustentável

Gabriel Manzano

24 de dezembro de 2021 | 00h30

Virgilio Viana. Foto; reprodução

O ano que termina, e que vai deixar tantas lembranças ruins e desafios urgentes a resolver, também teve algumas coisas boas, no entender do engenheiro florestal Virgílio Viana, superintendente da Fundação Amazônia Sustentável. A começar pelo prêmio de “melhor ONG do Brasil”, conquistado entre 1.033 organizações inscritas, dado pelo Instituto Doar em parceria com a Ambev e DOA. Também houve redução do desmatamento e da pobreza em algumas regiões. E por fim os avanços no combate ao desafio ambiental na COP-26 – onde a seu ver “o mundo empresarial acordou para a agenda climática”.

Não é pouca coisa. Tudo somado, o que se viu em Glasgow foi um projeto que agrega 450 organizações financeiras, em todo o planeta, que controlam algo em torno de US$ 130 trilhões, lutando por tecnologias limpas.

Mas foi também um ano de muita luta contra a pandemia, adverte Viana, com seus mais de 30 anos defendendo a causa ambiental no Amazonas. As equipes da Fundação (nada a ver com o Fundo Amazônia, que é uma entidade do governo federal hoje comandada pelo vice-presidente Hamilton Mourão) enfiaram-se floresta adentro, visitando comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas.

“Conseguimos chegar a 7.500 aldeias e comunidades. Para alcançá-las, nossos colaboradores fizeram viagens de até 15 dias, em ambientes desafiadores”. Foi possível, semana após semana, “fazer um raio X sobre a saúde daqueles brasileiros vivendo em áreas distantes. E ficou clara a necessidade de se pensar na atuação do SUS nessas regiões”, conclui o engenheiro.

Pensar de que maneira? “Na criação de programas diferenciados na Amazônia profunda. Dotar esses programas de assistência de telemedicina. Implantar a internet em aldeias isoladas. Levar até elas painéis de energia solar.” E esses programas incluem uma vinculação na área educacional, entrosar com as universidades. “Por fim, além da telemedicina, estabelecer políticas para uso da fitoterapia tradicional.”

Ao mencionar essas metas ele acrescenta duas observações. Primeira, que já está implantada lá fora, é a ideia de que – retomando uma expressão americana – a Amazônia “is too big to fail” – grande demais para fracassar. E a segunda é um forte sentimento de urgência. “Não dá pra esperar um governo novo tomar posse.” Viana, que esteve em todo os encontros anteriores da COP, percebeu em Glasgow uma demanda de “revolução ecológica” e uma consciência de que “a sociedade civil, com lideranças empresariais e movimentos sociais, vai puxar as mudanças. E os governos serão caudatários nesse processo”

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