‘É preciso quebrar o silêncio sobre a violência sexual’, afirma Luciana Temer

‘É preciso quebrar o silêncio sobre a violência sexual’, afirma Luciana Temer

Paula Bonelli

06 de julho de 2022 | 00h30

Luciana Temer. Foto: Silvana Garzaro /Estadão

Luciana Temer. Foto: Silvana Garzaro /Estadão

Advogada com trajetória na área de Direitos Humanos, Luciana Temer admira a coragem das funcionárias que denunciaram situações de assédio sexual na convivência com Pedro Guimarães, ex-presidente da Caixa. “É muito importante quebrarmos o silêncio de toda e qualquer violência sexual contra meninas, meninos e mulheres. Sair desse lugar de constrangimento é a única forma de mudar a realidade”.

Luciana vai palestrar na sede da Federação Israelita de São Paulo sobre abuso sexual contra menores nesta quinta-feira, 7. Presidente do Instituto Liberta – e filha do ex-presidente Michel Temer –, ela sofreu um estupro aos 27 anos durante um assalto. “O sentimento hoje é de vergonha por não ter denunciado à época. Não falei para as autoridades por medo da exposição, contei apenas para a minha família”, disse à coluna por videoconferência, com a voz um pouco embargada.

Com sua experiência de ex-delegada de polícia, lembra que a denúncia é um instrumento fundamental no enfrentamento desse crime. “Não condeno quem não consegue falar, mas é preciso que a gente tenha consciência”. Aos 13 anos, Luciana passou por outro trauma o qual agora, aos 53 anos, trata publicamente para dar visibilidade ao tema. Quando voltava da escola viu que um homem a encarava enquanto se masturbava. “Essa situação muitas vezes é minimizada apesar de ser crime de importunação sexual no Brasil.”

A Federação Israelita conta com programas de assistência às vítimas das violências, iniciativa do Grupo de Empoderamento de Liderança Feminina. “A gente precisa colocar o bode na sala para forçar a construção de políticas públicas de enfrentamento”, conclui Luciana.

Tudo o que sabemos sobre:

luciana temerassédio sexual

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.