“É no carnaval que se planta a conchinha do inverno”, explicam fundadores do Soltos S.A

“É no carnaval que se planta a conchinha do inverno”, explicam fundadores do Soltos S.A

Sonia Racy

01 de março de 2019 | 00h30

Tempos atrás, os amigos Carol Tilkian e André Lage resolveram transformar em conteúdo digital suas frequentes conversas de bar sobre as virtudes da solterice. Os dois percebiam que o assunto trazia “muita insatisfação e cansaço”. E resolveram discutir essa condição. Assim nasceu o canal Soltos S.A., que já conta com 1,2 mil inscritos no YouTube e 8 mil seguidores no Instagram. A dupla respondeu à coluna sobre os dilemas de estar sozinho no carnaval. Abaixo, trechos da entrevista.

Como nasceu o canal?
Estamos os dois solteiros há algum tempo e, em conversas sobre a solterice, percebemos que nela existe muita insatisfação e cansaço. Resolvemos, então, transformar as conversas de bar em pautas de comportamento. Poucas coisas conectam tanto as pessoas quanto uma “roubada amorosa”, um pé na bunda. Então, mesclamos entretenimento e informação. Entrevistamos solteiros e profissionais que falam sobre temas como masculinidade tóxica, empoderamento feminino que não passe pelo corpo, relacionamentos na era digital.

O que vocês estão descobrindo nesse processo?
Que modelos antigos não servem mais e os novos ainda parecem não funcionar. Percebemos um grande espaço para falar do assunto.

E quais as maiores queixas que recebem dos solteiros?
A clássica é que “ninguém quer nada com nada”, mas todo mundo busca alguma coisa. Isso nos leva a um dilema: as pessoas não se abrem ou acham que os outros não se abrem? Outra queixa frequente é a falta do que chamamos “casual com afeto”. As pessoas acham que para tomar café da manhã juntos têm que estar namorando. E nós defendemos que o carinho pode acontecer mesmo que o encontro dure algumas horas. E, por fim, há uma sensação de que, se você está com alguém, sempre está perdendo outra oportunidade. Isso impede as histórias de acontecerem e vínculos de se formarem.

O que muda no carnaval com a febre dos aplicativos de relacionamento?
O maior índice de downloads de aplicativos de relacionamento deste ano foi no sábado depois do Réveillon. Então, há uma tendência de que isso se repita no sábado pós folia. Porque no carnaval os “matches” são na vida, as pessoas se sentem mais livres para paquerar – sempre de maneira respeitosa, claro –, a autocensura baixa. Mas, a Quarta-feira de Cinzas vai chegar e a pessoa ou não achou o grande amor da sua vida ou achou 200 amores. Daí ela volta para o aplicativo.

Quais as principais dicas para os solteiros no carnaval?
Apostar na fantasia, que seja autêntica e uma expressão da sua identidade. Deixar o celular em modo avião para economizar bateria e só ligar para anotar o contato do “crush”, deixar as pessoas livres e reativar o contato depois. Lembrar que é no carnaval que se planta a conchinha do inverno. / MARILIA NEUSTEIN