‘É importante retomar a vida em certa medida’, diz diretor executivo do Inhotim

‘É importante retomar a vida em certa medida’, diz diretor executivo do Inhotim

Sonia Racy

30 de janeiro de 2019 | 00h59

ANTONIO GRASSI. FOTO: ALAOR FILHO/ESTADÃO

ANTONIO GRASSI. FOTO: ALAOR FILHO/ESTADÃO

Antonio Grassi, diretor executivo do Instituto Inhotim, em Brumadinho, estava fora do Brasil quando a lama da barragem da Vale atingiu a cidade. Diz que quando retornou, dois dias depois, ficou “em choque” com a situação, mas orgulhoso dos funcionários da entidade, que tiveram conduta exemplar na evacuação dos visitantes do museu. “Agiram da melhor forma, sem nem se dar conta do perigo que seus familiares e casas corriam”, conta. Em conversa com a coluna ontem, explicou que o instituto volta a funcionar na sexta e contou quais são os planos para o futuro de Inhotim.

Quais as ações que vocês estão preparando neutralizar o impacto da tragédia na comunidade?
Desde do primeiro dia nós montamos comitês internos para fazer levantamento de ações. Nós temos cerca de 600 funcionários e cerca de 50 têm parentes que estão desaparecidos ou perderam suas casas. Estamos amparando esses funcionários com psicólogos e outros tipos de suporte. Também estamos pensando em como ajudar a comunidade a longo prazo, na recuperação de áreas degradadas, por exemplo. Temos um departamento de botânica que pode ajudar nisso.

Você estava em Portugal quando a barragem se rompeu. O que sentiu quando voltou para Brumadinho e viu a situação da cidade?
Fiquei em choque. O caminho da minha casa para Inhotim não existe mais, os funcionários estão abalados, a comunidade também. Quero pensar que o tempo pode resolver isso, mas talvez essa tragédia seja irreversível. A pousada Nova Estância – que nós indicávamos para nossos visitantes e que recebia os artistas que vinham montar instalações ou se apresentar no museu – foi destruída e todos morreram.

O Inhotim vai reabrir na sexta (1º) com contingente reduzido?
Nós conversamos com psicólogos e pessoas que têm conhecimento sobre esse tipo de tragédia e concluímos que é importante retomar a vida em certa medida. Só vão trabalhar os funcionários que tiverem condições psicológicas e não perderam parentes.

Qual impacto da tragédia a longo prazo no instituto?
É uma questão que vamos levantar ainda. No ano passado, na mesma época, nós tivemos a questão da febre amarela, que nos obrigou a exigir do público a vacinação. Isso teve um impacto muito forte na visitação, perdemos mais de 50% dos visitantes naquele período e demoramos muito para recuperar. Não é só o tempo que ficamos fechados, mas como recuperar o fluxo. É preocupante, mas não temos um levantamento./MARCELA PAES

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