‘É difícil fazer arte no Brasil’, afirma Mariana Aydar, vencedora do Grammy Latino

‘É difícil fazer arte no Brasil’, afirma Mariana Aydar, vencedora do Grammy Latino

Marcela Paes

26 de novembro de 2020 | 00h45

Mariana Aydar. Foto: Ana Laura Castro

Mariana Aydar considera o álbum Veia Nordestina um “agradecimento ao forró e aos nordestinos”. O trabalho, lançado no fim de 2019, ganhou na semana passada prêmio no Grammy Latino na categoria ‘melhor álbum de música de raízes em língua portuguesa’. “Normalmente não costumo ligar para premiações porque é tudo muito relativo, mas com esse trabalho foi especial porque voltei para as minhas raízes. O forró enfrenta muito preconceito dentro do próprio Brasil”, diz. Leia a seguir a entrevista com a cantora.

Atualmente a música segue uma tendência de globalização. Qual a importância desse resgate da regionalidade?

Eu trouxe a minha interpretação da música nordestina, mas sem perder a alma do forró. Se não mostramos isso para as novas gerações, os jovens começam a achar que forró é uma coisa cafona, música para o avô, o pai. É uma música muito genuína, de um Brasil profundo. Isso é importante principalmente agora, em que precisamos resgatar tantos valores.

Li uma frase sua em que você diz que o forró é um estilo de vida. Como é esse estilo?

É o estilo do povo nordestino. Aliás, esse álbum é um agradecimento aos nordestinos e ao forró. Temos muito para aprender com o Nordeste. Como se vive, como se ama, como se vota. São pessoas que olham para a natureza, que têm a sabedoria da simplicidade. Ensinam que em meio a tantas dificuldades também há espaço para a diversão. Mais especificamente, falando dos forrozeiros, são um grupo que se ajuda, amigo, que olha no olho.

O disco foi lançado por meio de edital do Natura Musical e com fomento via Lei Rouanet. Como você enxerga as críticas à lei, que acusam os artistas de se aproveitarem de “mamata”?

As pessoas precisam se informar um pouco mais. É muito difícil fazer arte no Brasil. Sou uma artista independente e não conseguiria fazer o disco sem a Rouanet. Acho que a pandemia mostrou como a arte é importante: podemos ficar sem ir a um restaurante chique, sem ir a um bar, mas não podemos ficar sem musica, sem livros, sem filmes. O trabalho do artista tem tanto valor como o de qualquer outro profissional/MARCELA PAES.

 

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