É a política fiscal, estúpido!

Sonia Racy

18 de maio de 2016 | 01h20

Não foi de surpresa, mas o anúncio feito ontem, por Henrique Meirelles, dos novos nomes de sua equipe – saudada por muitos como o “dream team” da economia – pegou o mercado financeiro e parte do empresariado em Nova York. Lá estava mais da metade do PIB nacional, para o jantar de homenagem a Arminio Fraga, eleito Homem do Ano pela Câmara Brasil-EUA.

Enquanto, no Brasil, se faziam comparações entre a competência da equipe e as incertezas do Congresso – que, afinal, é quem aprova, ou não, as medidas econômicas –, em NY Roberto Setúbal dizia à coluna: “A equipe é muito boa, certamente em condições de propor um ajuste fiscal sustentável e confiável”. Ao seu lado, concordando, Cândido Bracher, também do Itaú, emendava: “É uma oportunidade para o País”.

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E Ilan Goldfajn no BC? Setúbal advertiu que, em princípio, a mudança maior é na Fazenda. Uma política fiscal mais rígida “facilita o trabalho da política monetária, promovendo maior entrosamento entre as partes”, dizia.

Para Luiz Trabuco, do Bradesco, Alexandre Tombini, do BC, deixa um legado de responsabilidade. “Principalmente no que diz respeito ao ciclo de crédito e regulação bancária”, destacou. Quanto ao seu sucessor, ele ressalta: “O Ilan é técnico, reconhecido internacionalmente, e essa relação lhe dará oportunidade de fazer um bom trabalho em um momento de ciclo recessivo”.

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No entender de Trabuco, Goldfajn entra com dois bônus: “a alta liquidez das reservas internacionais e o declínio da inflação”, que a seu ver “criam condições para uma política econômica que tire o País da recessão”.
O banqueiro conclui : a política fiscal “vai abrir espaço para a política monetária fazer seu papel, possibilitando a flexibilização da taxa de juros”.

“Tem tudo para dar certo”, sintetizava José Olympio Pereira, do Crédit Suisse, enfatizando a visão estratégica do novo grupo.

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Tal cenário, recheado de esperanças, não era partilhado por Roberto Giannetti da Fonseca, do Lide. Se o País tiver mais do mesmo, adverte, “nossa economia continuará indo para o buraco”. O ex-secretário da Camex entende que ajuste fiscal em economia recessiva não funciona. “O caminho é a exportação, mas não com um dólar tão barato, a R$ 3,50”. A propósito, em SP, o dólar fechou o dia em R$ 3,48.