É a política, estúpido!

Sonia Racy

12 de maio de 2016 | 01h25

Dilma afastada, quais serão os próximos passos de Temer? Nas últimas semanas, assessores do vice-presidente deram sinais públicos sobre o caminho a ser trilhado. A palavra de ordem é economia, economia e economia. Mas, entre as medidas aventadas, nada muito diferente do que já defendem 13 entre dez economistas ortodoxos.

A diferença, portanto, reside na condução política dos temas – único caminho para torna-las realidade.

Samuel Pessoa, sócio da Reliance, resume o quadro: o problema estrutural do Brasil “é horrível” mas a sorte é que “o ciclo ajuda”. Isto é, a recessão vai possibilitar queda da inflação e dos juros mas não resolve problemas de base para que o País volte a crescer.

A equipe do vice-presidente tem falado claramente em meta fiscal mais realista e, portanto, mais crível em 2016 – coisa que se tem tentado alcançar sem o menor sucesso. Pessoa acredita que o governo Temer vai conseguir. Já o mercado, não. Aposta em mexida, sim, na meta, mas não do tamanho necessário.

Assessores têm dito que não se vai retomar a ideia de recriação da CPMF ou aumentar impostos. Mas não explicam como o País sairá o atual buraco das contas públicas. “Vão ter que aumentar a carga tributária para impedir a trajetória explosiva da divida pública”, avalia o economista. Não há mágica. Ressalta porém que, primeiro, o governo tem que cortar na carne para depois convencer a sociedade sobre mais tributação.
A reforma da Previdência, segundo Pessoa, vai sair. “Isto é urgente, caso contrário vamos pagar via inflação.”

O regime de partilha na exploração do pré-sal é outro foco. Neste quesito, a ideia pode andar, mantendo a obrigatoriedade de participação da Petrobrás como operadora. “Manter a Petrobrás não ajuda. Tem que voltar ao antigo marco regulatório com mudanças adequadas à nova realidade do pré-sal.” Mais complicada é a ideia de desvincular do Orçamento os gastos obrigatórios com saúde e educação. “Pode ser difícil mas se não fizermos nada caímos no abismo”.

Temer promete reajustar o Bolsa Família. “É necessário e vão conseguir”. E há outro tanto de projetos estruturais nada novos como reforma trabalhista, privatizações ou extinguir ministérios. Fazê-los andar são outros quinhentos.