Cortes e obras adiadas, a receita para um orçamento positivo em SP

Sonia Racy

19 Dezembro 2017 | 01h10

CAIO MEGALE

CAIO MEGALE. FOTO: HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

Caio Megale, secretário da Fazenda de Doria, admite que deu um trabalhão entender a situação herdada da gestão Haddad no orçamento municipal – e que não foi fácil arrumar R$ 7,5 bilhões, à custa de cortar obras e suspender gastos.

Isso tudo ante a informação divulgada pelo petista de que havia deixado um caixa positivo. Faltou dizer, segundo o secretário, que havia gigantescas contas a pagar.

Gestão anterior ‘superestimou
receitas e subestimou gastos’

Onde está o nó? Nas previsões orçamentárias da Prefeitura de 2017. Haddad projetou arrecadação de R$ 54,7 bilhões. “Ele superestimou receitas e subestimou gastos. A diferença ficou em… R$ 7,5 bilhões”, disse Megale.

O que a nova gestão fez? Um PPI – renegociou dívidas fiscais (R$ 5,7 bilhões, dos quais R$ 1,5 bilhão entra este ano). E ainda cortou custos e deixou de fazer obras. O ano, diz ele, “fecha suado com receita de R$ 51 bilhões”.

Nas contas da Fazenda, faltaram R$ 3,7 bilhões previstos por Haddad. O restante são obras também previstas, em especial as do PAC. Que deixaram de ser feitas. “O dinheiro do PAC evaporou mas foi contabilizado nos últimos três Orçamentos.”

Realista, a Prefeitura não repetiu o erro em 2018.

Previsão agora é de arrecadar
em torno de  R$ 56,2 bi em 2018

O Orçamento de Doria prevê arrecadação de R$ 56,2 bilhões, sem PAC. Mais R$ 1 bilhão em privatizações.
Ele começou a ser votado ontem à noite – e havia um esforço para que fosse aprovado ainda de madrugada, para que ninguém tenha de trabalhar… na véspera do Natal.

 

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