Donos de restaurantes em SP questionam critérios do projeto Ocupa Rua

Donos de restaurantes em SP questionam critérios do projeto Ocupa Rua

Marcela Paes

06 de agosto de 2020 | 12h23

Croqui do projeto Ocupa Rua. /Metro Associados

Donos de restaurantes estão questionando os critérios do projeto Ocupa Rua, que transforma algumas calçadas e áreas do centro de SP, normalmente destinadas para automóveis, em área externa para uso de clientes de estabelecimentos de alimentação.

Segundo eles, a maneira como se deu a escolha da lista de restaurantes e bares beneficiados com as reformas não está clara. “A pandemia não escolheu vítimas no setor e a prefeitura também não deveria escolher beneficiados”, disse em seu Instagram Danni Borges, do restaurante vietnamita Bia Hoi – que não foi incluído.

Erick Jacquin, que tem um restaurante no Jardins,  reclamou em suas redes sociais. “Devemos seguir os protocolos e todos terem os mesmos direitos. Ou todos podem ter mesas nas calçadas, no mesmo dia, ou nenhum pode. Faz tempo que reclamo com o prefeito e com o governador sobre abrir as calçadas”.

Moradores da região também levantam questões. Em grupos de Whatsapp de edifícios próximos ao projeto, há temor de que o uso desses espaços aumente o barulho da região e prejudique a circulação de pedestres.

Idealizado por Janaina e Jefferson Rueda, o escritório de arquitetura Metro Associados e a crítica gastronômica Alexandra Forbes – com apoio da Prefeitura – o Ocupa Rua foi colocado em prática sem dinheiro público. O Bar da Dona Onça, Z Deli, A Casa do Porco, Boi na Brasa e Orfeu são alguns dos 31 participantes.

Segundo Alexandra, o projeto privilegiou uma área em que houvessem menos prédios residenciais. Também teve como ponto de partida a localização da Casa do Porco, uma vez que a ação já era uma ideia antiga da chef Janaina. “Estou totalmente aberta a conversar com os moradores. Incluímos botecos e restaurantes pequenos. A ideia é melhorar a região como um todo”, diz.

Janaina Rueda afirma que é um projeto piloto e que o prefeito já disse “inúmeras vezes” que, se a iniciativa for bem sucedida, pretende expandi-la a outras áreas. “Ninguém sabe da minha histórias aqui no centro, lugar em que eu nasci e cresci. O quanto eu luto pra melhorar essa região. No Brasil não existe um senso de coletivo”, diz Janaina.

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