Dois lados

Sonia Racy

15 de setembro de 2012 | 01h01

O desenho escolhido pelo cerimonial na transmissão de cargo do Ministério da Cultura, anteontem, escancarou a dinâmica de Brasília: o poder de quem chega e a solidão de quem é demitido.

Fila de ministros, senadores, secretários, autoridades e funcionários da pasta era encaminhada, primeiro, para cumprimentar Marta Suplicy; depois, para se despedir da preterida Ana de Hollanda. Mas, como a concentração em torno da nova todo-poderosa era muito maior e mais demorada, Ana ficou, em alguns momentos, sozinha.

Constrangida, mexia na bolsa, disfarçava, até que começou a chamar seus conhecidos na fila. Orientados por ela, pulavam o cumprimento a Marta e iam a seu encontro, ocupando, assim, seu tempo livre. “Depois você volta para cumprimentá-la”, repetia a quem temia perder a chance de fazer um afago na nova chefe.

Os que se aproximavam da ex-senadora petista queriam aproveitar ao máximo o tempo para ganhar simpatia e falar sobre reivindicações. Zé Celso, por exemplo, levou para Marta uma flor de ipê amarelo, já castigada pela espera e pelo calor. E entregou-lhe apostila com questões relacionadas à implementação de projeto cultural em torno de seu Teatro Oficina. A Ana de Hollanda, as palavras do produtor cultural foram de agradecimento: “Vamos marcar alguma coisa um dia desses…”. /DÉBORA BERGAMASCO

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