‘Disputa de tiro curto’

‘Disputa de tiro curto’

Sonia Racy

07 Julho 2018 | 00h55

RAÍ

RAÍ. FOTO:PAULO GIANDALIA/ESTADÃO

Raí – que já jogou 51 partidas pelo Brasil, marcando dezesseis gols, incluindo de pênalti no jogo contra a Rússia pela primeira fase da Copa de 94, quando era capitão do time – estava esperançoso na quinta-feira à noite, durante gravação do programa no YouTube de Silvana Tinelli, presenciada por esta coluna. “O Brasil vai ganhar de 3 a 1 da Bélgica, apesar de o time deles estar bem preparado”, previu o hoje diretor de futebol do São Paulo. Acreditava que a eliminação do País poderia se dar nas semifinais contra a França. E apostava que quem vencesse a semifinal disputaria com a Croácia. Infelizmente, o Brasil saiu antes. Aqui vão trechos da conversa dele com Silvana.

Qual o jogador e a seleção que o surpreendeu nesta Copa?
Jogador, não sei. Mas a equipe da Bélgica, que enfrentaremos amanhã, está surpreendendo. Tem lá o centroavante, o Lukaku, que sempre foi um grande jogador, mas agora está numa fase ainda melhor. A Bélgica tem grandes jogadores, mas acho que o conjunto do Brasil ainda é mais forte.

E o Gabriel Jesus? Qual a sua avaliação do que ele tem feito no ataque brasileiro?
A Copa é um campeonato com sete jogos. Às vezes você não começa tão bem mas depois melhora. É uma disputa de tiro curto, um mês de competição. Difícil. Os brasileiros estão acostumados com o centroavante marcando muitos gols. Ele não marcou, mas não está jogando mal. Fez bons jogos.

Você esperava que a Alemanha saísse tão cedo?
Não, a Alemanha não. A Argentina sim, era uma incógnita. Poderia ter ido muito bem ou muito mal, como se viu nas eliminatórias. A Alemanha foi a grande decepção. Achei até que poderia ganhar a Copa. Mas sair na primeira fase…

E o que o mundo fez com o Neymar foi injusto, né?
É. O Neymar é um ídolo mundial, um dos melhores jogadores do planeta, está fazendo época. E eu, que não sou desse tempo, não tenho dúvida nenhuma da qualidade que ele tem. Mas ele é muito visado em todos os aspectos.

Não é muito jovem, ainda, para ter tanta cobrança em cima dele?
Exatamente. Essa pressão que tem em cima, se tudo for depender só dele, realmente fica quase que insuportável. Para ter bons resultados ele tem que se sentir mais solto, precisa que a equipe inteira esteja bem. E acho que a equipe melhorou coletivamente.

Como foi na sua época? Quantos anos você tinha?
Na Copa eu tinha 28, 29 anos e era também capitão da seleção. E também tinha pressão grande. É o sonho de qualquer atleta, mas obviamente quando você chega lá tem que estar confiante e os seus companheiros também. Nossa equipe foi campeã do mundo…

O que você acha da atuação do Tite como técnico?
Ele é líder, bom taticamente, muito experiente, sabe lidar muito com o grupo, tem psicologia muito boa – aliás, eu acho que esse é um ponto mais forte dele. Tem habilidade técnica, é treinador já maduro e se comunica muito bem. A meu ver, ele é um mestre.

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