Direto no bolso

Sonia Racy

09 de maio de 2012 | 01h01

Não é difícil entender por que Dilma quer baixar os juros. Além do inegável bônus político, a presidenta se conscientizou que o crescimento econômico, baseado na expansão do crédito, está batendo em certos limites. Portanto, nada mais racional do que reduzir o spread dos bancos para tentar trazer o consumidor de volta às compras.

No fundo, é isso que o Ministério da Fazenda negocia aos trancos e barrancos. Neste percurso, entretanto, segundo banqueiros privados, há de se reformular várias coisas. Duas delas, se resolvidas, ajudariam muito, no ver do sistema financeiro: as distorções existentes no cheque especial e no cartão de crédito.

Segundo se apurou, os dois lados, governo e iniciativa privada, estudam uma solução para o que se pode chamar de “subsídio cruzado” no cheque especial. Consta que as tarifas cobradas para se manter uma conta corrente não cobrem os custos dessas contas. E o jeito para “tampar” o buraco está nos juros absurdos cobrados de quem entra no cheque especial.

O cartão de crédito também sofreria o tal do “subsídio cruzado”. São os bancos – e não as lojas, restaurantes ou estabelecimentos em geral–, a arcarem com o custo do inadimplente que optou por parcelas sem juros. De onde tiram dinheiro para tanto? Da absurda taxa de juros cobrada de quem rola dívidas no cartão a “módicos” 16% ao mês.

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