Direto de Inhotim

Sonia Racy

08 de setembro de 2012 | 01h01

“Todo olhar humano é uma forma de performance”. Com esta frase Tunga celebrou a inauguração de seu pavilhão permanente no Instituto Inhotim. O artista reuniu obras que já estavam no complexo museológico e peças mais recentes, dando um caráter retrospectivo ao espaço. “Ele é bom de editar a própria obra”, conta Felipe Dmab, da galeria Mendes Wood, que representa o pernambucano. Tunga é amigo de longa data de Bernardo Paz, idealizador e dono do parque. É dele a primeira obra que Paz comprou, quando começou a colecionar arte contemporânea. Sobre Inhotim, o artista foi direto: “Este projeto é a conexão máxima possível”.

Além da de Tunga, outras três galerias individuais foram inauguradas anteontem. Dedicadas a Lygia Pape, Cristina Iglesias e Carlos Garaicoa. O evento, fechado a convidados, contou com os principais galeristas do Brasil e grandes colecionadores nacionais e internacionais. “É um momento único que estamos vivendo no País. Temos de repensar como tratamos nossa arte”, refletiu Alessandra d’Aloia, da Fortes Vilaça, fazendo alusão à quantidade de exposições esta semana. Vende-se muito nesse período? “Claro, mas não é só isso. Os maiores museus do mundo estão buscando o Brasil para fazer pesquisa”, completou.

A festa teve show de Arnaldo Antunes, que passeou pelo parque com Edgard Scandurra e demais músicos de sua banda. No pôr-do-sol, em palco montado em um dos lagos, o cantor foi aplaudidíssimo e terminou o dia homenageando o amigo. “Viva Tunga”, disse Antunes, confirmando a tese de que todo olhar é mesmo uma forma de performance. /MARILIA NEUSTEIN

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