Direto de Comandatuba

Sonia Racy

22 Abril 2011 | 23h15

A grande ausência do tradicional seminário anual de João Doria, realizado na Ilha de Comandatuba, foi Dilma Rousseff, esperada com ansiedade pelos quase 700 participantes do evento fechado, no Hotel Transamérica. Capa da revista do Lide, a presidente alegou cansaço extremo. Não se recuperou o jet lag da China. Mas prometeu a Doria que receberá, pessoalmente, o Prêmio Personalidade do Ano, em almoço a ser organizado entre maio e junho, em São Paulo. “Jantei com ela na quarta e ela me pareceu cansada, estava sem dormir direito há quase três dias”, justificou Michel Temer, seu vice, à coluna.

A desistência da presidente, entretanto, acabou sendo acompanhada pela de outros ministros confirmados e agendados, como Aloizio Mercadante e Miriam Belchior. Só José Eduardo Cardozo confirmou e apareceu para a abertura. E Fernando Haddad era esperado para ontem, no fim da tarde.

O fato gerou comentários sobre um possível boicote ao evento por parte do Governo Federal. Afinal, Doria apoiou tanto Serra quanto Geraldo Alckmin – este último, presente no evento. O governador paulista, porém, chegou atrasado ontem para a abertura do seminário. Teve que aguardar pacientemente um intervalo nos discursos para ser chamado à mesa das autoridades. Alckmin deve ter se esquecido do rigor de Doria com horários. O anfitrião não abriu exceção para o governador.

Este perfeccionismo perseguido pelo dirigente do Lide é sua marca registrada. E quem aposta contra, erra. Na quinta-feira, em Congonhas, antes da partida das três aeronaves fretadas da TAM para levar os convidados do evento à Bahia, todos recebiam um brinde da Trousseau. Ao que um certo empresário observou: “Nossa, o João, finalmente pisou na bola. Não pensou que teremos que carregar isto até lá”. Errou. O “pacote” continha um travesseiro para maior conforto durante o voo.

E diante de imprevistos normais em um acontecimento deste porte, a organização só não conseguiu, mesmo, foi tapar o buraco aberto pela falta de Dilma.