Diplomata brasileiro considera ‘equívoco’ Israel insistir na indicação de Dayan

Sonia Racy

15 de janeiro de 2016 | 12h14

A informação de que o governo de Israel não indicará outro nome para a Embaixada do Brasil, divulgada ontem — o que implica, no momento, em um “rebaixamento” do nível das relações entre os dois países, visto que o embaixador anterior já deixou o posto –,  foi definida como “um equívoco” pelo embaixador Sérgio Amaral.

À coluna, o ex-ministro do governo FHC e ex-titular da Embaixada brasileira em Londres comentou a rejeição, pelo Itamaraty, do nome de Dani Dayan e a insistência de Telavive em indicá-lo. “Foi um equívoco do governo de Israel propor como embaixador no Brasil uma pessoa claramente envolvida com uma política que é condenada pelas Nações Unidas. E é um segundo equívoco insistir no nome de Dayan e deixar a embaixada israelense em um nível mais baixo de atuação”.

Segundo o diplomata brasileiro, “talvez isso possa explicar porque Israel tem tão poucos amigos na comunidade internacional”.

Em entrevista divulgada em Telavive, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu definiu Dayan como “um candidato excepcionalmente qualificado” e reafirmou que ele “continua a ser” a sua indicação para Brasília.

Anunciado há cinco meses, Dayan foi rejeitado pelo governo Dilma, primeiro, por Netanyahu tê-lo divulgado pelo Twitter antes de consultar o governo brasileiro. E segundo, por ele defender claramente uma política contrária ao Estado Palestino, que foi reconhecido não só pelo Brasil como pelas Nações Unidas.

 

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