Dilma do agreste

Sonia Racy

27 de maio de 2014 | 01h10

A exemplo de seus concorrentes, que estão buscando apoio da agricultura, Dilma convocou cerca de 35 empresários do agronegócio para jantar, sexta-feira, no Alvorada, em Brasília. A intenção da presidente ao montar o evento, organizado pela senadora Kátia Abreu, foi abrir canal de comunicação com o setor – que anda ressabiado com o governo federal.

Durante o coquetel que antecedeu o jantar, a presidente conversou com os presentes de maneira descontraída e bastante afável, mostrando as dependências do palácio e a capela recém-reformada.

Ouviu deles que nada estava sendo feito para a agricultura e contrapôs, explicando o as ações do governo nos portos, rodovias e ferrovias. Não contente, Dilma pediu mais participação no processo. “Só vejo chinês interessado nas ferrovias e não podemos deixar esse setor nas mãos deles.”

A petista não se furtou a debater dois problemas levantados: os índios e a terceirização de mão de obra. Convergiu em alguns pontos, discordou em outros e sinalizou que não pretende mexer no vespeiro este ano.

A certa altura, foi sugerida a união de três ministérios (Agricultura, Desenvolvimento Agrário e Meio Ambiente) para evitar, segundo Gustavo Junqueira, da SRB, autor da proposta, políticas “parceladas”. Miguel Rossetto, do Desenvolvimento Agrário, não gostou.

Entre os presentes, André Roth, da Louis Dreyfus, Theo van der Loo, da Bayer Brasil, Eraí Maggi Scheffer (primo de Blairo, que também atua no ramo de soja), Walter Horita, grande plantador de algodão na Bahia, e os dirigentes da New Holland e da Fazenda Bela Vista.

Ao final, Dilma agradeceu Belarmino Iglesias, do Rubaiyat (também presente), responsável pelo serviço da noite – que começou às 19h30 e foi até… 1h30 da manhã (confira o menu ao lado).

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